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Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

 
“Deus não joga, mas fiscaliza”

(Carlos Eugênio Simon, comentando vídeo que confirma que não houve pênalti entre Flamengo e Cruzeiro, campeonato Brasileiro 2008, série A)


posted by Eduardo Pereira at 18:26

Terça-feira, Novembro 18, 2008

 
"O ronco dos motores é como se fossem as batidas do meu coração"
[Benedicto Lopes (1904-1989), brasileiro, piloto de automobilismo entre 1934 e 1954]

posted by Eduardo Pereira at 18:53

 
"O Grêmio sempre esteve na briga. Apenas para vocês que não."

(Celso Rorh, técnico do Grêmio)

posted by Eduardo Pereira at 18:50

Sexta-feira, Setembro 26, 2008

 
“É preciso acabar com o mito de que os talentos do meio para frente não podem nem devem ter obrigações táticas. É o contrário. Eles só se sentem seguros, criam e improvisam quando têm funções bem definidas. O conteúdo não sobrevive sem a forma.
...
Outra dificuldade de Dunga, da maioria dos técnicos, de todos nós e de qualquer profissional, é enxergar e saber priorizar, sem perder tempo, sem dar muitas voltas, o que tem realmente mais importância.”

Folha de S.Paulo - Tostão: Bela e atípica vitória - 10/09/2008


posted by Eduardo Pereira at 19:59

Domingo, Maio 07, 2006

 
Fonte: Blog de Juca Kfouri

Praia ou não praia

Vôlei de praia não é a praia deste blog.

Mas hoje aconteceu um fato que é da praia deste blog, apesar de ter acontecido no vôlei de praia.

Eis que a melhor dupla do mundo, Ricardo e Emanuel, ganhava de 17 a 15 o segundo set da decisão da 5o. Etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, disputado em Campo Grande (MS).

Já tinha vencido o primeiro por 18/15.

Ricardo aparentemente manda uma bola para fora, o que daria o 16 ponto para a dupla Guto e Bruno e a manteria na disputa, jogo aberto.

O ponto é dado para a dupla que perdia.

Só que Guto foi até o árbitro de rede e acusou que a bola bateu nele.

"Poucos jogadores fariam isso que ele fez, ainda mais no último ponto. Isso mostra o caráter dele e é por isso que chegou aqui¿, cumprimentou Emanuel.

Fim de jogo.

E começo de uma admiração.

Escrito por Juca Kfouri às 15h35

Fonte: Blog de Juca Kfouri

posted by Eduardo Pereira at 11:09

Domingo, Fevereiro 12, 2006

 
Fonte: coluna de FERNANDÃO, publicada no JORNAL DO BRASIL, Rio, em 09 de fevereiro de 2006, caderno ESPORTE.

Renovação do vôlei de praia

A temporada de 2006 chegou e, com ela, as novidades do Projeto Renovação do Vôlei de Praia. Pelo terceiro ano consecutivo, o projeto entrará em ação e, para começar o novo ano, uma nova seletiva será realizada no Centro de Desenvolvimento de Voleibol, em Saquarema. Quem sonha um dia invadir as areias Brasil adentro e atuar no vôlei de praia pode ficar atento porque as inscrições já estão abertas. O objetivo do projeto é treinar e desenvolver novos talentos para o vôlei de praia feminino brasileiro. Para participar, duas exigências: altura mínima de 1,80m e ser maior de 17 anos. Inscrições poderão ser feitas no site da CBV ( www.volei.org.br). A peneira será realizada entre o final de março e o início de abril. As selecionadas treinarão em Saquarema e terão as despesas pagas pela CBV durante a permanência no Centro de Treinamento, que inclui fisioterapia, nutricionista, psicólogo, médicos e curso de inglês, além de ajuda de custo. As atletas que estiverem em idade escolar também terão sua complementação paga pela CBV e, durante o período de treinos, as que tiverem bom nível técnico, de acordo com avaliação da comissão técnica, também poderão participar de algumas etapas do Circuito Banco do Brasil.

Fonte: coluna de FERNANDÃO, publicada no JORNAL DO BRASIL, Rio, em 09 de fevereiro de 2006, caderno ESPORTE..

posted by Eduardo Pereira at 13:02

Domingo, Fevereiro 05, 2006

 
fonte: Blog Juca Kfouri

Senna passa Schumacher

Os fãs do alemão, talvez por ele não ter vivido um grande momento na temporada passada, enfiaram uma pesquisa numa página em sua homenagem na Internet para saber quem foi melhor, se ele ou Ayrton Senna.

Ele ganhava até que o pessoal do Kibeloco começou a pedir votos para o brasileiro.

Senna já está com 65%.

Confira em http://www.mschumacher.com/welcome.html .

Escrito por Juca Kfouri às 13h15, 5/2/2006

fonte: Blog Juca Kfouri

posted by Eduardo Pereira at 21:30

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006

 
Fonte: coluna BASQUETE, de MELCHIADES FILHO, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 31 de janeiro de 2006, caderno ESPORTE.

O jogo histórico de Kobe Bryant lidera as vendas do video.goo gle.com/nba.html. Pena que o serviço ainda esteja bloqueado para o Brasil. Mas dá para assistir de graça aos 81 pontos. Basta acessar o www.nba.com e vasculhar a seção de banda larga. Você verá que cada cesta foi suada, saiu na marra, com os Lakers sempre atrás do Toronto até a virada consagradora no final. Mais de 1 milhão de pessoas já baixaram as imagens, três minutos inesquecíveis.

Fonte: coluna BASQUETE, de MELCHIADES FILHO, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 31 de janeiro de 2006, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 20:32

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

 
Fonte: coluna de RENATO MAURICIO PRADO, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 08 de janeiro de 2006, caderno ESPORTES.

Campeã eterna

Primeira mulher sul-americana a disputar as Olimpíadas (em 1932) e recordista mundial, nos 200 e 400 metros, nado de peito (em 1939), Maria Lenk recupera-se de uma fratura de fêmur ¿ causada por uma queda. Aos 91 anos (que completará no próximo dia 15), faz intensa fisioterapia para voltar à forma a tempo de disputar o Mundial de Veteranos, em agosto, na Califórnia!
Que ninguém duvide que ela possa estar lá. Há dois anos, Maria Lenk fraturara a cabeça do outro fêmur, mas logo se recobrou, e bateu 4 recordes mundiais.
Em dezembro, o último deles, nos 50 metros peito, no Rio, na categoria 90 a 94 anos. Pouco depois, caiu e sofreu a nova fratura.
Ansiosa para voltar a nadar (e pedindo a oração de todos pelo seu restabelecimento), ela faz planos de embarcar no dia 8 de março para Albuquerque, nos EUA, onde mora o seu filho e pretende começar a preparação para o próximo Mundial de Veteranos.
Na competição, cinco brasileiros recordistas mundiais estarão brigando por títulos: Djan Madruga, nos 400m medley, Marcus Mattioli (400m livre), Ciro Delgado (100m livre), Aran Boghosian (200m livre) e a própria Maria Lenk, nos 50m, 100m e 200m peito e 800m livre.
Dá-lhe, "garota"!

Fonte: coluna de RENATO MAURICIO PRADO, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 08 de janeiro de 2006, caderno ESPORTES.

posted by Eduardo Pereira at 21:19

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

 
Fonte: coluna BASQUETE, de MELCHIADES FILHO, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 10 de janeiro de 2006, caderno ESPORTE.

Plantão médico

As vitórias sobre americanas e chinesas, a campanha que eternizou Hortência e Paula, o título mais importante do basquete nacional... isso não tem preço. Já a medalha de ouro daquele Mundial tem: R$ 19,9 mil.
O prêmio pela conquista de 1994 na Austrália está à venda no site de leilões Mercado Livre.
A peça pertence à médica Marli Kecorius, uma das sete integrantes daquela comissão técnica.
Alguns internautas foram piedosos, pensaram no pior. "Ela deve estar passando por apuros!"
Marli de fato perdeu dinheiro no basquete. A fim de acompanhar as meninas em treinos e jogos, renunciou a seus pacientes. Pagou para servir à seleção.
Mas ela se deu muito bem ao mudar de especialização. Abraçou a medicina estética e hoje fatura com o método de quimiocirurgia facial que desenvolveu.
Mora com a mãe em um apartamento (um por andar) nos Jardins, bairro de elite de São Paulo. Já realizou todos os sonhos de consumo. TV de plasma, home theater, videogame... Desfez-se do refúgio de veraneio na praia só porque "dava trabalho". E só não viaja com mais freqüência ao exterior porque a clínica e as aulas de pós-graduação não permitem.
Já que o dinheiro do leilão, então, não fará diferença alguma, estão certos os que apontam ingratidão, que acusam a médica de cuspir no prato em que comeu?
Marli não esconde de ninguém que o desgosto nasceu já no ano do milagre australiano. Enquanto os tetras do futebol recebiam barra de ouro do governo estadual, as campeãs do basquete levavam um reloginho de mesa.
Enfureceu-se ao ver que o triunfo não era capitalizado, não revertia no crescimento do esporte.
Torceu pela vitória de Gerasime Bozikis à confederação brasileira. Acreditou, como muitos, que a coisa mudaria para melhor.
O oposicionista ganhou a eleição; ela, a rua, e sem justa causa.
Arrasada, a médica deixou de vez de ir aos ginásios e de assistir aos jogos pela TV. Nem no Nintendo, passatempo predileto, a bola laranja sobreviveu. "Os games não têm as paradas no ar que a Hortência dava antes de chutar nem os passes por trás da Paula."
Marli foi a única a chorar na festa do décimo aniversário da medalha. Na hora eu pensei que fosse de alegria. "Não", ela esclarece agora. "Era mágoa", por não ter sido contatada uma única vez pela CBB até aquela semana.
Aos 59, a médica ainda conserva um arquivo fabuloso de imagens (todas digitalizadas!) e objetos da seleção. Mas não consegue conviver com ele. Sempre que vê a caixinha que protege a relíquia mais preciosa, a garganta entala.
O leilão virtual é, portanto, como ela decidiu achar alguém que dê valor ao símbolo de uma glória que dificilmente se repetirá.
"Não casei, não tenho filho, não deixarei herdeiros", diz. "Não quero que a medalha pare na mão de um burocrata do Estado."
Marli não está otimista, porém. Não por causa do preço alto, que afugentou os lances até aqui, mas porque sabe que, no fundo, o brasileiro não se importa. Para ela, o ouro não vale o quanto pesa. Para o país, não vale nada.

Fonte: coluna BASQUETE, de MELCHIADES FILHO, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 10 de janeiro de 2006, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 21:52

Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

 
Fonte: coluna CORA RÓNAI, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 05 de janeiro de 2006, caderno SEGUNDO CADERNO.

Recebi um email da leitora Alice Giannini com uma reclamação muito justa: por que não se dá destaque algum à categoria especial da Corrida de São Silvestre?

"É simplesmente como não se não existisse, o que é um absurdo, - diz ela. - A largada da categoria acontece todos os anos antes da largada feminina, e o exemplo de superação que esses atletas portadores de algum tipo de deficiência dão ao mundo poderia incentivar muitas outras pessoas!!!"

Tem toda a razão, Alice: estou com você.

Fonte: coluna CORA RÓNAI, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 05 de janeiro de 2006, caderno SEGUNDO CADERNO.

...EU TAMBÉM...


posted by Eduardo Pereira at 20:01

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

 
Meus parentes e amigos


Mais um Ano que está indo embora. E agora, o que podemos desejar para o próximo Ano!?


Que as verdadeiras amizades continuem eternas e tenham sempre aquele espaço especial em nossos corações.

Que as lágrimas, mesmo que poucas, sejam compartilhadas.

Que as alegrias estejam sempre presentes e sejam comemoradas por todos.

Que a inocência das nossas crianças e a sabedoria dos nossos velhos, sejam, pelo menos respeitadas.

Que o carinho esteja presente num simples OLÁ, ou em qualquer outra frase, mesmo que digitada rapidamente.

Que os corações estejam sempre abertos para novas amizades, novos amores, novas conquistas.

Que Deus esteja sempre com sua mão estendida, apontando caminhos.

Que as coisas pequenas como a inveja, ciúmes, desamor, sejam banidas de vez das nossas vidas.

Que aquele que necessita de ajuda encontre em nós sempre o conforto, a palavra amiga.

Que a verdade sempre esteja acima de tudo.

Que o perdão e a compreensão superem as mágoas e as desavenças.

Que este nosso pequeno grande mundo seja cada vez mais humano.

Que tudo o que sonhamos seja transformado em realidade.

Que o amor pelo próximo seja nosso meta absoluta.

E que nossa longa jornada nos próximos 365 dias seja repleta de flores.



Um Feliz Natal e um próspero 2006.

de coração


Edu, Sandra, Eduardinho e Gabrielle


PS. Não esqueçam de dizerem "Eu te amo" para as pessoas que amam...

PPS. EU AMO VOCÊS...

posted by Eduardo Pereira at 23:07

Domingo, Dezembro 11, 2005

 
coluna FUTEBOL, de TOSTÃO, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 11 de novembro de 2005, caderno ESPORTE.

Imagine

Parafraseando John Lennon, que morreu 25 anos atrás, imagine se o futebol tivesse mais craques como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Kaká, Zidane, Schevchenko, Lampard, Totti, Deco, Nedved, Nilsteroy, Xavi, Riquelme, Ballack e alguns outros.
Imagine se houvesse mais técnicos ousados, visionários, preocupados não somente com a vitória, mas também com qualidade do espetáculo, e que orientassem os seus jogadores para não fazer tantas faltas nem usar de carrinhos e de violência.
Imagine se os dirigentes fossem melhores profissionais, mais competentes, mais preocupados com o futuro do futebol e com o sucesso dos seus clubes do que com as suas vaidades e seus interesses políticos e econômicos.
Imagine se toda a imprensa fosse totalmente independente e todos procurassem informar bem e opinar com imparcialidade, sem julgamentos prévios e sem bairrismo, corporativismo e ufanismo.
Imagine se os torcedores cantassem, gritassem, festejassem aplaudissem, vaiassem, sem brigas e sem violência dentro e fora dos estádios.
Vocês podem dizer que sou um sonhador, mas não sou o único.

coluna FUTEBOL, de TOSTÃO, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 11 de novembro de 2005, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 21:45

Domingo, Setembro 04, 2005

 
coluna de ANCELMO GÓIS, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 22 de agosto de 2005, caderno Rio.

Viva François!

François Silva Luiz, 8 anos, aluno do Ciep 280, no município de Carmo, no Rio, foi a estrela do Campeonato Mundial de Ginástica Aeróbica de Competição, realizado em Los Angeles.

Venceu na categoria infantil e depois foi escolhido como o melhor do campeonato.

coluna de ANCELMO GÓIS, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 22 de agosto de 2005, caderno Rio.

posted by Eduardo Pereira at 08:02

 
coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 23 de agosto de 2005, caderno ESPORTE.

Isolamento

O Ministério do Esporte tentará emplacar no Congresso um projeto de lei que proíba emissoras de mostrar imagens de torcedores que invadirem os gramados durante os jogos.

Pré-estréia

A idéia foi discutida na comissão interministerial de combate à violência nos estádios. Marco Polo Del Nero ouviu e quer se antecipar. O presidente da FPF planeja costurar um acordo com televisões, rádios e jornais para que dêem as costas aos infratores já no Paulista-06.

coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 23 de agosto de 2005, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 07:59

Sábado, Setembro 03, 2005

 
CAMPEÕES DA COPA DO MUNDO

2002 Brasil
1998 França
1994 Brasil
1990 Alemanha
1986 Argentina
1982 Itália
1978 Argentina
1974 Alemanha
1970 Brasil
1966 Inglaterra
1962 Brasil
1958 Brasil
1954 Alemanha
1950 Uruguai
1938 Itália
1934 Itália
1930 Uruguai


posted by Eduardo Pereira at 17:08

Domingo, Agosto 07, 2005

 
coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 05 de agosto de 2005, caderno ESPORTE.

CONTRA-ATAQUE

Cúmulo do fair play


A nova determinação da Fifa que orienta a arbitragem a expulsar atletas que ponham em risco a integridade de adversários com carrinhos já está sendo assimilada pelos jogadores.
Quem diz isso é o juiz paulista Sálvio Spínola, o primeiro a cumprir à risca a nova regra no Brasil, o que motivou uma enxurrada de expulsões, acompanhada por um aumento da média de gols no Brasileiro.
Ele conta que, no clássico entre Paraná e Atlético-PR, correu para mostrar o vermelho ao atacante André Dias, autor de uma falta de carrinho. Quando se aproximava do paranista para mostrar o vermelho, o jogador apertou-lhe a mão, reconhecendo que merecia a expulsão.
- Nunca havia visto um jogador elogiar a atitude de quem o expulsara, lembra o juiz, destacando o fair play de André Dias.

coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 05 de agosto de 2005, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 17:33

Sábado, Julho 23, 2005

 
coluna FUTEBOL, de SONINHA, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 21 de julho de 2005, caderno ESPORTE.

E tem mais

O Zico que hoje enumera opções de jogadas, tenta transferir responsabilidades (em campo!) para os jogadores e tirar deles o medo paralisante de errar conta que não era um jogador que treinava cobranças de falta por muito tempo depois do treinamento, como diz a lenda: "Eu treinava tudo! Finalização, passe... Se você aprende a resolver dentro da área com um toque só, vai estar sempre em vantagem em relação ao goleiro. Se precisar dar dois toques, dá uma chance para ele se preparar. Por isso às vezes parece até que o gol foi fácil, mas você teve de se preparar muito pra isso". Um bom exemplo de como a combinação de talento, racionalidade e esforço favorece a intuição sempre lembrada por Tostão.

coluna FUTEBOL, de SONINHA, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 21 de julho de 2005, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 16:40

Domingo, Julho 03, 2005

 
TESTE

posted by Eduardo Pereira at 01:35

Quarta-feira, Junho 22, 2005

 
coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 22 de junho de 2005, caderno ESPORTE.

CONTRA-ATAQUE

Revolução criativa

O que a revolta de torcedores contra a administração de um clube é capaz de provocar?
Em vez de violência, 2.600 fãs do Manchester United, descontentes com a aquisição de 97,3% do time pelo empresário americano Malcolm Glazer, decidiram criar um novo time, o Football Club United of Manchester.
Quem pensa que a idéia não passa de brincadeira se engana, pois o time, que ainda procura comissão técnica e jogadores, já está inscrito para jogar em uma liga regional da Inglaterra.
O clube, que surgiu após uma iniciativa lançada na internet para receber doações, já tem até estádio, o Butcher's Arms Ground, que abriga 3.000 pessoas e cujo dono, Dave Pace, é torcedor do Manchester.
- Não sei o que será. Mas estão determinados a neutralizar Glazer. Desejo sorte, disse Pace.

coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 22 de junho de 2005, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 19:23

Terça-feira, Junho 21, 2005

 
coluna de RICARDO BOECHAT, publicada no JORNAL DO BRASIL, Rio, em 20 de junho de 2005, caderno BRASIL

Sem folga

Sábado, apesar da vitória por 3 sets 1, Bernardinho achou que Seleção Brasileira de Vôlei jogou pouco contra Portugal.
Assim, foi cancelada a tradicional folga após cada partida e, cinco horas após a equipe enfrentar os lusos, todo mundo já treinava duro num ginásio, em Brasília.
- Esse time não me convenceu - disse o exigente técnico.
A iniciativa deu certo.
O placar de 3 x 0, ontem, provou que ele estava com a razão.

coluna de RICARDO BOECHAT, publicada no JORNAL DO BRASIL, Rio, em 20 de junho de 2005, caderno BRASIL

posted by Eduardo Pereira at 18:44

Segunda-feira, Junho 20, 2005

 
"Sou só um brasileirinho tentando lutar contra esse mundo muito grande"
(RUBENS BARRICHELLO, sobre a ordem da Ferrari para reduzir)


posted by Eduardo Pereira at 19:52

Terça-feira, Junho 14, 2005

 
coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 14 de junho de 2005, caderno ESPORTE.

CONTRA-ATAQUE

O show não pode parar

A lendária seleção brasileira tricampeã na Copa de 70 tinha fãs até dentro do gramado.
Um deles era o juiz israelense Abraham Klein, escalado para apitar o jogo dos brasileiros contra a Inglaterra. O ex-árbitro contou ao site do jornal "Maariv", de seu país, que quase caiu de costas quando abriu o envelope e viu que apitaria um jogo do time de Pelé e companhia.
A partida, vencida pelo Brasil por um 1 a 0, teve belos lances. A defesa do goleiro Gordon Banks numa cabeçada de Pelé, por exemplo, entrou para história como uma das mais bonitas de todos os tempos.
Enacantado, Klein não fez questão de encerrar o duelo:
- Pouca gente sabe, mas quando apitei o final, os jogadores não ouviram. A partida estava tão boa, que a deixei continuar por mais alguns minutos.

coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 14 de junho de 2005, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 20:28

Segunda-feira, Maio 23, 2005

 
Parentes e amigos, a Sandra fez ultrassom e É ME-NI-NA!!!! Estamos muito, mas muito felizes!!!

posted by Eduardo Pereira at 22:33

Domingo, Março 06, 2005

 
coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 03 de março de 2005, caderno ESPORTE.

Igualdade de direitos

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, recebeu de forma positiva sugestão de conceder a chancela da confederação a um Rio-SP feminino de futebol no segundo semestre, que seria o embrião de um Nacional. Teixeira sugeriu avançar as conversas sobre o assunto.

Esboço

Pleiteia-se que a competição reúna oito equipes, quatro do Rio e quatro de São Paulo, e que suas partidas sejam preliminares de jogos do Brasileiro masculino. Preferencialmente daquelas que sejam disputadas no Maracanã e no Morumbi.

coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 03 de março de 2005, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 11:56

Terça-feira, Janeiro 25, 2005

 
coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 25 de janeiro de 2005, caderno ESPORTE.

CONTRA-ATAQUE

Depois da tempestade, mascotes

Após ver seu estádio, o Brundon Park, ficar 2 m debaixo d'água devido a uma inundação que atingiu o norte da Inglaterra, a direção do Carlisle United descobriu seus novos mascotes: dois peixinhos dourados.
Eles foram encontrados por Emma Story, filha do presidente do clube, que visitou o estádio depois da inundação.
- Vi que eles estavam se mexendo nas poças na grande área, busquei um balde com água limpa e coloquei-os lá dentro.
Após o caso se tornar notório, uma jovem reconheceu que um dos peixes, Judy, era seu. Mas permitiu que o bichinho seguisse no clube, que já adotou os peixes como mascotes.
- Eles são fortes e saudáveis. Alguns torcedores vêm visitá-los e dizem que representam o espírito lutador do clube, afirma Emma.

coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 25 de janeiro de 2005, caderno ESPORTE.

posted by Eduardo Pereira at 16:18

Quinta-feira, Junho 10, 2004

 
coluna de FERNANDO CALAZANS, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 06 de junho de 2004, caderno Esportes.

[Jogo do Chile contra o Brasil] "horário impróprio que nossos rivais escolheram cientificamente para que os jogadores brasileiros sintam frio, para que os jornalistas fiquem de cabelos mais brancos na hora de fechar a edição e para que os torcedores cheguem mais tarde ao trabalho amanhã."

coluna de FERNANDO CALAZANS, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 06 de junho de 2004, caderno Esportes.

posted by Eduardo Pereira at 21:12

 
coluna de ANCELMO GÓIS, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 04 de junho de 2004, caderno Rio.

Trégua na guerra

Quarta, pouco antes do jogo com a Argentina, um tiroteio no Morro do Pavão-Pavãozinho causou pânico no Bar Belmonte, em Ipanema. Todo mundo correu para os banheiros.

Mas os tiros pararam, acredite, quando a bola rolou no Mineirão. Faz sentido.

coluna de ANCELMO GÓIS, publicada no jornal O GLOBO, Rio, em 04 de junho de 2004, caderno Rio.

posted by Eduardo Pereira at 20:04

 
coluna de MÁRCIA PELTIER, publicada no JORNAL DO BRASIL, Rio, em 09 de junho de 2004, caderno Caderno B.

Ecológico

Enfim, algo a comemorar na semana do Meio Ambiente: o Aeroporto Santos Dumont reduziu em 90% o consumo de água nos últimos três anos, com a instalação de um sistema de sanitários a vácuo nos banheiros - igualzinho ao dos aviões - no saguão de embarque. A economia total foi de 30 milhões de litros, água suficiente para encher 16 piscinas olímpicas. Além de ter representado menos R$ 400 mil para a Infraero, o sistema também permitiu a geração de 90% menos esgoto.

coluna de MÁRCIA PELTIER, publicada no JORNAL DO BRASIL, Rio, em 09 de junho de 2004, caderno Caderno B.

posted by Eduardo Pereira at 19:53

 
coluna FUTEBOL, de JOSÉ GERALDO COUTO, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 05 de junho de 2004, caderno Esporte.

Maracanã, adeus?

Ricardo Teixeira quer explodir o Maracanã. A proposta só merece ser comentada aqui por ser reveladora da visão que uma parte de nossa elite tem do país e de seus problemas.
O argumento do presidente da CBF é o de que o estádio Mário Filho está tão obsoleto que não há nem como reformá-lo para seguir as exigências da Fifa se o Brasil quiser sediar a Copa-2014. Entre outras falhas, o Maracanã não disporia em seu entorno de área livre para a construção de um estacionamento de 3.000 veículos.
Ora, a questão está sendo colocada de cabeça para baixo. Não é o Maracanã que não se adequa às exigências de uma Copa do Mundo. É o Brasil, e em particular o Rio de Janeiro, que não atende às necessidades básicas de segurança, transporte e infra-estrutura para um evento desse tipo.
Está certo, temos um grande estádio velho e cheio de problemas. Se o demolirmos, o que teremos? Nada. Ou será que o dirigente imagina que no lugar do velho dinossauro brotará num passe de mágica um similar do Stade de France ou dos espetaculares estádios que o Japão exibiu ao mundo na última Copa?
É isso que é típico dessa elite a que me referi. Ela não quer mudar o Brasil, com tudo o que isso implica de esforço coletivo, de negociação de interesses contraditórios, de superação de problemas crônicos e estruturais. Ela quer é abolir o Brasil, em nome da miragem de um país que não existe.
Habituado aos hotéis cinco estrelas, aos estádios e gabinetes refrigerados do Primeiro Mundo, Teixeira parece perder de vista o país onde vive. Há muita coisa a fazer por aqui antes de se pensar em destruir o Maracanã. O coitado não tem culpa de nada.
É possível que alguém me conteste, lembrando: "O estádio de Wembley tinha até mais tradição que o Maracanã, e os ingleses o implodiram".
Responderei: em primeiro lugar, é problema deles. Em segundo lugar, eles têm muito mais dinheiro para erigir estádios modernos e menos problemas urgentes a resolver.
Em terceiro lugar, ao defender o Maracanã, não sou movido só pelo desejo de preservar a tradição. O Mário Filho ainda é o grande palco da diversão mais popular do país. Qual foi o estádio que recebeu as maiores (e mais animadas) platéias neste ano de 2004? Resposta: o Maracanã, nas finais do Estadual do Rio.
O que existe no ar é uma clara tentativa de elitizar o futebol, de transformá-lo em programa de endinheirados. O povo que assista pela televisão. As federações aumentam o preço dos ingressos, clubes como o Atlético-PR tentam afastar de seu estádio os torcedores pobres, a TV marca os jogos para as 21h40, e por aí vai.
Evoca-se o exemplo do que ocorreu na Europa, apela-se ao argumento da falência dos nossos clubes, lança-se mão do desgastado termo "modernidade". Conclusão: não basta demolir o Maracanã, esse símbolo incômodo do futebol como festa popular; é preciso substituir o povo brasileiro por uma turma mais chique.


coluna FUTEBOL, de JOSÉ GERALDO COUTO, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 05 de junho de 2004, caderno Esporte.


posted by Eduardo Pereira at 19:53

 
coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 09 de junho de 2004, caderno Esporte.

Esquadra britânica

Os clubes ingleses terão o maior número de representantes entre os que cederão atletas para a Eurocopa, que começa sábado. Dos 256 inscritos, 59 jogam no país. O segundo posto ficou com a Alemanha (50), e o terceiro, com a Itália (47).

coluna PAINEL FC, publicada no jornal FOLHA DE S.PAULO, em 09 de junho de 2004, caderno Esporte.


posted by Eduardo Pereira at 19:35

Terça-feira, Maio 18, 2004

 
OLIMPÍADA RIO ABAIXO

Como repórter, chefe de reportagem ou editor, acompanhei todas as candidaturas brasileiras para sediar Jogos Olímpicos nos últimos anos e a do Rio era a mais sólida em relação ao que foi apresentado até hoje. Prova é que três sites especializados no assunto (www.gamesbids.com - aroundtherings.com e www.sportcal.com) previram que a cidade estaria entre as finalistas para a campanha de 2012.

Tecnicamente, a candidatura realmente me pareceu muito boa. Mas, na prática, a realidade do país é cruel.

Nunca imaginei que o Rio pudesse vencer a parada, mas tinha confiança de que estaria entre as finalistas. Se o COI entendeu que a cidade não está preparada nem para passar da fase preliminar da candidatura, espero que os dirigentes e os políticos possam tirar lições sobre o que aconteceu.

Temos três problemas muito sérios na cidade e no país para os quais não podemos virar as costas, fingindo não existirem:

1. A violência urbana: não aquela que vemos em outros grandes centros do mundo que passaram à próxima fase da campanha para 2012, mas uma violência que beira os exemplos da guerrilha. Somos um país com graves desigualdades sociais e a grande maioria dos que cuidam dessa candidatura só vai ao subúrbio com motorista particular, às vezes em carros blindados e cercados por seguranças.

2. A poluição e a degradação do meio-ambiente: os Jogos Olímpicos de Seul-1988 foram os últimos realizados em cidades com lagoas ou baías com graves problemas. A Baía de Guanabara é uma vergonha. Para o estrangeiro que nos visita, basta uma olhadela da janela do avião que pousa no Aeroporto Internacional para perceber isso. As lagoas Rodrigo de Freitas e de Jacarepaguá são reflexo disso tudo.

3. As injustiças: como jornalista, já visitei muitos e muitos países ao longo de 20 anos de profissão. Mas a desigualdade social, a corrupção em todos os níveis e a impunidade que vivenciamos em nosso dia-a-dia atingiram um patamar intolerável para mim e corroem a esperança da população no futuro.

Em tempo: certamente vai ter gente falando que a candidatura de São Paulo poderia ser melhor. Sustento que não e vou além: prever um gosto de US$ 12 bilhões (no mínimo, o dobro de qualquer outra candidatura), entre infra-estrutura de ginásios e melhorias na cidade, como previu São Paulo, num país como o nosso, chega a ser um acinte.

Sem resolver tantas questões pendentes, infelizmente, creio ser muito difícil dar saltos definitivos como realizar uma Olimpíada.

posted by Eduardo Pereira at 19:58

Quarta-feira, Março 31, 2004

 


coluna de MÁRCIA PELTIER, publicada no JORNAL DO BRASIL, Rio, no dia 27 de março de 2004, caderno Caderno B.



Do Rio para Atenas

A União Ciclística Internacional, a segunda maior entidade esportiva do mundo depois da Fifa, brindou a Volta do Rio com um upgrade considerável. No terceiro ano da competição, a prova é, agora, a mais importante do ciclismo na América Latina. Entres os dias 13 e 18 de abril, 90 ciclistas do Brasil, EUA, Itália, Argentina, França e Portugal irão percorrer os 460km que atravessam as regiões dos Lagos e Serrana. A Volta do Rio será decisiva para definir os atletas brasileiros que terão passaporte carimbado para as Olimpíadas de Atenas.

coluna de MÁRCIA PELTIER, publicada no JORNAL DO BRASIL, Rio, no dia 27 de março de 2004, caderno Caderno B.



posted by Eduardo Pereira at 22:33

Domingo, Março 28, 2004

 
coluna VÔLEI, Folha de São Paulo, no dia 22 de março de 2004, caderno Esporte.

Quando Ana Moser operou o joelho faltavam seis meses para a Olimpíada. A estimativa para a recuperação era de oito meses. Obstinada, ela transformou o que parecia impossível em possível: quatro meses depois da cirurgia, participou da BCV Cup, na Suíça, com 70% da capacidade física.
Nalbert tem um perfil semelhante ao de Ana Moser: é determinado, não quer nem pensar em ficar fora da seleção nos Jogos de Atenas e é o comandante do time em quadra. Bernardinho, que na época era o técnico de Ana Moser na seleção, também vive o mesmo drama agora.

coluna VÔLEI, Folha de São Paulo, no dia 22 de março de 2004, caderno Esporte.


posted by Eduardo Pereira at 10:41

 
coluna PIT STOP, publicada no jornal O GLOBO, Rio, no dia 22 de março de 2004, caderno esportes.

O mais significativo em Michael, para mim, é o fato de ele manter intactos o prazer de correr, a concentração e a competitividade. Tem seis títulos e quase todos os recordes da Fórmula-1, mas está na cara a sua felicidade com o carro que está pilotando. A alegria que demonstrou nos dois pódios, na Austrália e na Malásia, denota confiança na conquista de seu sétimo título mundial.

coluna PIT STOP, publicada no jornal O GLOBO, Rio, no dia 22 de março de 2004, caderno esportes.

posted by Eduardo Pereira at 10:39

 
coluna de TOSTÃO, publicada no FOLHA DE S.PAULO, no dia 24 de março de 2004.

A sorte de muitos treinadores é que geralmente existe um craque para salvá-los.

coluna de TOSTÃO, publicada no FOLHA DE S.PAULO, no dia 24 de março de 2004.


posted by Eduardo Pereira at 09:27

 

coluna de RENATO MAURICIO PRADO, publicada no jornal O GLOBO, Rio, no dia 26 de março de 2004, caderno esportes.

As dores de Guga

O programa tinha sido ¿quente¿ e o assunto principal (o boicote dos melhores tenistas brasileiros à Copa Davis), polêmico. Oscar Schmidt, o ¿Mão Santa¿, discordara veementemente da atitude, defendida com firmeza por Fernando Meligeni. Horas após o ¿Bem, Amigos¿, já num restaurante, acabei puxando com o ¿Fino¿ outro assunto que também tem preocupado os amantes do tênis no Brasil.

Fiz a pergunta que muita gente me faz:

¿ O que está acontecendo com o Guga?

Meligeni nem titubeou:

¿ Ainda dói, Renato. Dói muito! E, tentando evitar a dor, Guga força outras partes do corpo. Agora está cheio de dores nas costas. Ele é um herói! Jogar assim não é pra qualquer um...

Custei a crer e insisti:

¿ O Guga ainda sente o quadril que operou?

E o ¿Fino¿ confirmou:

¿ Problema no púbis é fogo. É reflexo de uma porção de coisas: dele bater de frente a direita; de ser alto e chegar atrasado, sem tempo para girar o tronco... Aí, toma de abaixar o lado direito e forçar o quadril pra bola andar. No final, estoura. Já aconteceu com muita gente. E bom ninguém ficou. Nem operando.

Ainda que ressaltando sempre a admiração por Guga, Meligeni admite que o jogo dele caiu bastante:

¿ Ele está muito mais lento. E todo mundo já percebeu. Aí, é uma bola num lado, outra no outro, uma pingada... E vão minando o preparo dele.

A tática evita que Kuerten use o que tem de bom:

¿ Parado, Guga tem um dos melhores golpes do circuito. Mas forçado a correr sem as condições físicas ideais, é vulnerável. O que o tem salvado é o saque. Repare de quantos ¿buracos¿ Guga sai sacando.

O futuro de Kuerten, para o amigo, está selado:

¿ Acho que Guga joga mais dois anos. Este e o próximo. Depois vai surfar e curtir a vida. E faz bem!

Ainda assim, Meligeni aposta que ele se manterá entre os 15 primeiros:

¿ Apesar das dores, acho que ele fica por aí. O cara é fera! A maioria, no lugar dele, teria desistido.

A permanência de Kuerten por mais duas temporadas é vista como um incentivo ao tênis no Brasil:

¿ O Larri me diz sempre: temos que manter o ¿Cavalo¿ (apelido pelo qual o técnico chama seu jogador) o maior tempo possível no circuito. Se não o aproveitarmos ao máximo, o Brasil desperdiçará uma oportunidade única de desenvolver o esporte e descobrir novos talentos.

Meligeni concorda. Mesmo sabendo o sacrifício que isso custa ao amigo:

¿ Em 2001, ano em que ele foi tri em Roland Garros, depois da primeira partida ele já me dizia, no vestiário: ¿Cara, está doendo demais! Nem sei se vou conseguir jogar o próximo jogo! Vou até onde der, mas acho que não vou longe, não...¿

Conquistou o título!!! E é na base da superação que Guga continua:

¿ Todos deviam aplaudi-lo de pé, na vitória ou na derrota. O que esse cara já fez pelo nosso tênis!?! O Guga é o máximo.

coluna de RENATO MAURICIO PRADO, publicada no jornal O GLOBO, Rio, no dia 26 de março de 2004, caderno esportes.


posted by Eduardo Pereira at 08:40

Domingo, Fevereiro 29, 2004

 
ok

posted by Eduardo Pereira at 23:57

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004

 
PS. Se dirigir não beba, se beber não dirija!

Aproveitem bastante, um excelente carnaval!


posted by Eduardo Pereira at 06:27

Domingo, Janeiro 04, 2004

 
O Globo, Rio, 29 de junho de 2003, caderno esportes, coluna de FERNANDO CALAZANS.
calazans@oglobo.com.br

História da arte

Bem que eu queria fazer uma breve reminiscência sobre a conquista da Copa de 58, cujo aniversário se celebra hoje, mas desisti a tempo, depois de ler o texto de João Máximo que está sendo publicado aqui mesmo na editoria de esportes. Tudo que é importante está ali: o significado daquela campanha pioneira; a vitória da arte sobre o cientificismo; a celebração do jogador brasileiro.

Além do mais, o texto é oportuno e atual, 45 anos depois. É para ser lido por quem testemunhou aquele tempo, por quem apenas ouviu falar dele e principalmente por quem nem ouviu nem sabe que ele existiu. Uma lição da história do futebol.

Porque ainda hoje não falta quem defenda a importação pelo futebol brasileiro ¿ o único pentacampeão do mundo ¿ de princípios, táticas, valores e características decididamente européias.

São, em geral, os que vivem a apregoar que o futebol mudou, os que dizem que agora o futebol é assim ¿ como se só eles, os arautos do chamado futebol moderno, soubessem que o futebol mudou e que agora o futebol é assim.

Todo mundo sabe. Todo mundo sabe que a preparação atlética, que a medicina esportiva, que as táticas de jogo se esmeraram, se desenvolveram, dando ao campo novas dimensões e novo desenho.

Nenhum admirador do futebol brasileiro, por mais purista que seja, ignora que o jogo ganhou velocidade, ganhou força, ganhou sentido de marcação. Ninguém é contra a ciência da preparação física nem contra a ciência das novas táticas. Desde que, no caso específico do futebol brasileiro, esses valores não se sobreponham ao talento puro e inato do nosso jogador. Desde que não adormeçam a capacidade criativa desse jogador, que é única no mundo inteiro, invejada por todos os povos que praticam futebol.

São bem distintas, são até antagônicas, as características do futebol europeu e do futebol brasileiro. Lá, a força; aqui, a técnica. Lá, a disciplina; aqui, a intuição. Características e qualidades muito bem delineadas ainda nos dias de hoje, em plena vigência do dito futebol moderno, como todos vocês viram na última final entre Brasil e Alemanha, na Copa do Mundo do ano passado. Um jogo ilustrativo e emblemático.

O que não significa, absolutamente, que não possamos recorrer à disciplina, à tática e até à força para aprimorar o nosso jogo. O que não tem o menor cabimento é que o único país pentacampeão cogite substituir suas características mais genuínas pelas características de países que tão cedo sequer poderão sonhar com o penta.

Por fim, uma palavrinha só sobre Garrincha ¿ expoente maior de duas Copas seguidas conquistadas pelo Brasil. Muita gente, incluindo comentaristas e críticos ignorantes da história do futebol, imagina que Garrincha desfilava pelos campos internacionais absolutamente livre de marcação, naqueles tempos de futebol, como se diz, romântico. Que ilusão! Que desinformação! Não sabem dos marcadores orientados por leis científicas que se enfileiraram ¿ dois, três, quatro ¿ em duas Copas para tentar anular em vão o gênio intuitivo de Garrincha.

A esses recomendo, se a leitura for pedir muito, ao menos uma passada de olhos no excelente ¿A estrela solitária¿, biografia de Garrincha escrita por Ruy Castro. Entre as fotografias que ilustram a Copa de 62, lá está uma, na página 259, em que oito mexicanos ¿ isso mesmo, OITO ¿ cercam o solitário Garrincha.

Por enquanto, fiquem com a aula do João Máximo.


posted by Eduardo Pereira at 21:39

 

Invasão

O Brasil aparece em décimo lugar no ranking de países estrangeiros com maior número de voluntários para trabalhar nos Jogos de Atenas. O país teve 972 pré-selecionados, que devem seguir para a Grécia em janeiro, onde se submeterão a testes e passarão por entrevista.

coluna Painel FC, publicada no jornal "Folha de São Paulo", no dia 24 de dezembro de 2003, caderno Esporte.

posted by Eduardo Pereira at 15:07

Sábado, Dezembro 06, 2003

 
Para quem não viu na TV, vale a descrição do gol relâmpago de Ronaldinho contra o Atlético de Madri.

Ele próprio dá a saída, tocando para Raúl, que atrasa para Beckham. O inglês passa para Zidane, ainda no campo do Real, e este estica a Roberto Carlos, que avança e lança Ronaldinho, na entrada da área do Atlético. O Fenômeno dribla um zagueiro, evita outro e, na saída do goleiro, o desloca com um toquinho sutil. Golaço, aço, aço ¿ como diria o saudoso Jorge Curi.

coluna de RENATO MAURICIO PRADO, publicada no jornal ¿O Globo¿, Rio, no dia 05 de dezembro de 2003, caderno esportes.


posted by Eduardo Pereira at 20:32

 
Para quem não viu na TV, vale a descrição do gol relâmpago de Ronaldinho contra o Atlético de Madri.

Ele próprio dá a saída, tocando para Raúl, que atrasa para Beckham. O inglês passa para Zidane, ainda no campo do Real, e este estica a Roberto Carlos, que avança e lança Ronaldinho, na entrada da área do Atlético. O Fenômeno dribla um zagueiro, evita outro e, na saída do goleiro, o desloca com um toquinho sutil. Golaço, aço, aço ¿ como diria o saudoso Jorge Curi.

coluna de RENATO MAURICIO PRADO, publicada no jornal ¿O Globo¿, Rio, no dia 05 de dezembro de 2003, caderno esportes.


posted by Eduardo Pereira at 20:31

Sábado, Agosto 02, 2003

 
Tapete vermelho

Técnicos e jogadores do chamado futebol moderno reagem logo, e sempre da mesma forma, quando alguém faz uma comparação que lhes é desfavorável com o velho futebol brasileiro ¿ o futebol, digamos, até o tricampeonato mundial. Dizem os moderninhos, os prafrentex, que antigamente era mole jogar. Uma barbada. Ninguém combatia, ninguém corria, ninguém marcava.

Dizem com o ar superior e arrogante de quem, na verdade, quer dizer o seguinte: ¿Queria ver se esse tal de Garrincha e esse tal de Pelé iam fazer o nome agora. Antigamente qualquer um jogava...¿

Pior nem é quem diz isso. Pior é quem acredita nessa bazófia. Quem acredita é, naturalmente, a geração mais jovem de torcedores e até de jornalistas e críticos, que não viveram aqueles tempos. E acreditam piamente, como quem acha que esses jogadores e técnicos têm algum conhecimento ou alguma cultura do futebol brasileiro. Não têm nenhum nem nenhuma.

O tema me ocorre a partir da final da Copa Ouro, último domingo, na capital mexicana, a mesma sede da final do Mundial de 70 entre Brasil e Itália. Porque esse jogo ¿ Brasil 4 x 1 Itália ¿ passou a ser uma espécie de símbolo do futebol de outrora. O que dizem dele as gerações recentes? Que foi uma lentidão só, que Gérson tinha tempo de parar a bola, pensar, refletir, dar o passe final para um Jairzinho ou Pelé inteiramente desmarcados para fazer o que quisessem.

O jogo foi mais lento mesmo, mais lento do que a maioria dos jogos de hoje.

Mas não foi mais lento, por exemplo, do que a seleção brasileira dos garotos ¿ essa seleção de Kaká, Diego e Robinho ¿ jogando em pleno século 21, ano de 2003, e perdendo para o México de 1 a 0 nesta Copa Ouro. A partir da metade do jogo, esses garotos ¿ de vinte, vinte e poucos anos, ou nem isso ¿ mal agüentavam correr. Na verdade, arrastavam-se em campo penosamente. Podem estar certos, os ingênuos de hoje, que Pelé, Gérson, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Clodoaldo correram muito mais em 70 para ganhar de 4 a 1 da Itália de Faccheti, Mazzola, Rivera, Gigi Riva, Boninsegna, do que Diego, Robinho, Maicon, Adriano, Paulo Almeida correram hoje para perder de 1 a 0 da seleção mexicana de não sei quem.

Ao contrário do que se imagina, Brasil x Itália de 70 não é um jogo típico daquela época. É exatamente o oposto: é atípico. E, agora, dá até para explicar ¿ em parte ¿ a atuação pífia, no último domingo, dos garotos brasileiros do futebol moderno. Os dois jogos foram disputados ao meio-dia, sob um calor de 30 ou até mais graus, numa altitude que não é brincadeira. Fato que naturalmente concorreu para a maior lentidão do jogo de 70 ¿ lentidão que, por sinal, deveu-se mais aos jogadores italianos (europeus) do que aos brasileiros, que por isso tiveram a tarefa facilitada.

E fato que concorreu também para a pane dos jovens de hoje da seleção sub-23. Sem contar que os experientes jogadores de 70 tiveram uma preparação muito maior e melhor do que os novatos de 2003.

Antes que me crucifiquem, até com razão, quero ressaltar que, ao comparar os dois jogos, não estou comparando a qualidade das seleções brasileiras de 70 e 2003. Seria uma crueldade imperdoável com a equipe de agora. Estou comparando apenas a velocidade, ou melhor, a lentidão dos dois jogos. Lento em 70 como nesta era de futebol moderno. E com a esperança de que as novas gerações não acreditem na sandice de que era fácil jogar em 50, 60 ou 70, como se naquele tempo estendessem um tapete vermelho para Garrincha passar.

O Globo, Rio, 29 de julho de 2003, caderno esportes, coluna de FERNANDO CALAZANS.
calazans@oglobo.com.br



posted by Eduardo Pereira at 21:06

 
As novas ondas de Ipanema

Cynthia Howlett, a mais completa tradução da nova garota de Ipanema, está feliz com o tombamento do bairro e ainda mais porque no domingo estréia um programa de esportes na Globo FM. Vai falar de caminhadas e seus apetrechos, como tênis, respiração e alimentação. "A diferença das garotas de hoje para as dos anos 60 é que a gente se preocupa mais com a saúde, é uma consciência que não existia." Cynthia prepara também novo programa para o Sportv. "Uma mistura de Lara Croft com Bond Girl fazendo esportes radicais pelo Brasil." É a pessoa certa.

O Globo, Rio, 28 de julho de 2003, caderno Rio, coluna GENTE BOA, de Joaquim Ferreira dos Santos.


posted by Eduardo Pereira at 21:04

Sábado, Julho 26, 2003

 
...Fluminense...

Herói tricolor

Acir Costa, leiloeiro, aceita lances a partir de R$ 8 mil para vender um álbum com 300 folhas, feito pelo imortal Coelho Neto, contendo fotos, o primeiro escudo, a primeira carteira de associado e outras relíquias dos primórdios do Fluminense. Será no dia 29, no Espaço Urca (Conde de Irajá 612, Botafogo). Está lá a foto do jogador Carlos Alberto, negro, que passava pó-de-arroz no rosto para burlar o preconceito e poder atuar num evento de elite.

O Globo, Rio, 24 de julho de 2003, caderno Rio, coluna GENTE BOA, de Joaquim Ferreira dos Santos.


posted by Eduardo Pereira at 16:37

Sexta-feira, Julho 25, 2003

 


A turma do chinelo

Parece até que houve uma revolução no futebol do Rio. Em plena crise. Em plena queda no Campeonato Brasileiro. A chegada de Oswaldo de Oliveira ao Flamengo e de Joel Santana ao Fluminense parece ter o efeito de um terremoto. Por quê? Terão os dois adotado algum método tão avançado no mundo do futebol a ponto de ser desconhecido ainda no Brasil? Nada disso.

Tomaram apenas medidas absolutamente óbvias e rigorosamente corretas. Oswaldo de Oliveira acabou (ou pelo menos está tentando acabar, porque não é fácil) com a turma do chinelinho no Flamengo.

Turma do chinelinho, para quem não sabe, é aquela turma que se contenta com o que ganha (seja muito ou seja pouco) e não quer saber de dever profissional. Nem treino nem jogo. Vive no departamento médico, uma dorzinha aqui, outra ali, um resfriado acolá. Vaga pelo clube arrastando o chinelinho, quase sempre com uma toalha no pescoço. Não quer saber de tênis, muito menos de chuteira. O futebol do Rio em geral está cheio desse tipo de profissional entre aspas.

Além desta turma, o Flamengo, notadamente o Flamengo, tem a turma da noite. Quem lê esta coluna sabe que não tenho o hábito de me intrometer na vida privada dos jogadores, mas chega um dia em que meu e-mail está apinhado de mensagens de torcedores inconformados por encontrar jogadores do Flamengo em madrugadas seguidas, regadas a chope e uísque, alegres como se o Flamengo estivesse disputando a liderança do campeonato. O local preferido, uma espécie de reduto rubro-negro, é a boate Nuth. Há mesmo no time quem se vanglorie publicamente de ser frequentador assíduo da casa.

Oswaldo de Oliveira, ao que parece, botou também jogadores em forma física precária ¿ como Edílson, por exemplo ¿ para treinar em tempo integral, como deve ser em qualquer clube profissional que se preze.

Agora vêm as perguntas. Será preciso que um técnico, seja quem for, chegue ao clube para inaugurar um regime verdadeiramente profissional? O que faziam e o que fazem o diretor de futebol e o supervisor de futebol com a turma do chinelinho e a turma da Nuth ou da night ? Os dois estão ali para trabalhar pelo clube ou para passar a mão na cabeça de maus profissionais? Ou não sabem das turminhas que todo mundo conhece?

O Flamengo, por ser o Flamengo, não pode esperar a chegada de Oswaldo de Oliveira para ser um clube profissional decente.

***

E o Fluminense precisa esperar a chegada de Joel Santana para ministrar treinos físicos e táticos aos jogadores? Torcedores tricolores que me escrevem ainda não chegaram ao agito das altas horas, mas reclamam de que o time, cheio de jovens, não agüenta correr no segundo tempo.

O Fluminense não tem dirigentes no futebol? Não tem supervisor? Ou é preciso que chegue um treinador de fora para detectar, no meio do campeonato, que os jogadores não fazem treinos táticos?

Presidentes e dirigentes de futebol no Rio têm, por comodidade, o vício de atribuir todas as responsabilidades ao técnico. Não é por outro motivo que, numa expressão feliz, O GLOBO deu ontem o título: ¿O fim do spa rubro-negro¿.

E que não é só rubro-negro. É tricolor e vascaíno também . É, na verdade, o grande spa do futebol do Rio, de que a gente fala há tantos anos, sem nenhuma providência dos cartolas.

O Globo, Rio, 23 de julho de 2003, caderno esportes, coluna de FERNANDO CALAZANS.
calazans@oglobo.com.br



posted by Eduardo Pereira at 07:17

 

Bom é comprar feito

Se alguém perguntar a um cartola europeu, quando é que os clubes de lá vão começar a formar jogador em casa, certamente, ouvirá um enfático: Jamais! Os europeus conhecem o caminho das pedras. Vejam o que acaba de acontecer com o francês PSG: vendeu ao Barcelona, por cerca de US$ 30 milhões, um jogador que tinha comprado do Grêmio por US$ 5 milhões. Desfrutou de Ronaldinho Gaúcho, duas temporadas.
O Barcelona, por sua vez, sabe que tem nas mãos uma jóia preciosa. Pelo craque excepcional que é, pela idade, pelo carisma, Ronaldinho lotará estádios onde quer que apareça o time catalão. E se, por qualquer motivo, o craque não der certo, é só estalar os dedos que pretendente não faltará.
Não existe nada mais seguro e mais conveniente no mercado do futebol do que comprar feito. Os italianos já estão nessa, há séculos e séculos. Os espanhóis vieram logo depois. Mais adiante, começou a cair a ficha na cabeça dos alemães. Agora, chegou a vez dos ingleses. A fonte é inesgotável, principalmente, com o súbito amadurecimento do futebol africano.
Antigamente, o futebol europeu vivia caindo no golpe do Fantástico, que, domingo de noite, mostrava todos os gols da rodada. O empresário maroto gravava o programa, metia o teipe embaixo do braço e se mandava pra Europa. Na época, os clubes europeus compraram muito gato por lebre...
Hoje, todo mundo vê, com regularidade e na íntegra, o filé mignon dos campeonatos brasileiro e argentino, que são os dois melhores filões do futebol sul-americano. Os clubes europeus têm pleno conhecimento da oferta.
Mesmo quando levam alguém tipo parece-mas-não-é, ainda assim, estarão fazendo um bom negócio porque passam o bonde adiante, sobretudo, agora, que o futebol caiu no gosto dos sheik da vida. Tem um lá que está pagando US$ 4 milhões por duas temporadas do velho e cansado Batistuta, pra quem a fonte européia já secou há três anos.
Por falar no assunto, quando é que os europeus vão levar o Kaká por alguns trocadinhos de euro?



Jornal do Brasil, 23 de julho de 2003, coluna de ARMANDO NOGUEIRA.
xapuri@armandonogueira.com.br


posted by Eduardo Pereira at 07:16

 
A melhor levantadora do vôlei brasileiro, Fernanda Venturini, não tem papas na língua. Conversando com meu fiel escudeiro, Antônio Arruda, ela comentou que seu marido, o técnico Bernadinho, se sentiu profissionalmente lisonjeado por ter o nome lembrado por pessoas ligadas ao futebol.

Mas ela ressaltou também como são diferentes as filosofias reinantes no futebol e no vôlei:

- Não sei se os jogadores de futebol aceitariam treinar pela manhã em dias de jogos e também nos dias seguintes das partidas, como se faz no vôlei. Bernardinho é muito exigente quanto a esse aspecto e poderia ter dificuldades.

Principalmente nos clubes do Rio, que até hoje se recusam a treinar em tempo integral.



O Globo, Rio, 22 de julho de 2003, caderno esportes, coluna de RENATO MAURICIO PRADO.


posted by Eduardo Pereira at 07:16

Domingo, Julho 20, 2003

 
"Na minha casa não há quase nada de obra de arte.
Mas há uma sala com uma televisão grande e
seis tevês pequenas em volta"


Abílio Diniz, empresário, que não economiza em imagem para assistir aos jogos do seu time, o São Paulo

Revista Isto É, 17 de julho de 2003, Edição nº 1762, coluna Frases.


posted by Eduardo Pereira at 09:45

Sábado, Julho 19, 2003

 
...livro...

Recebo Histórias da Galera, um livro delicioso com 50 relatos fantásticos nos campos de futebol. O autor é Edson de Oliveira.

Jornal do Brasil, 13 de julho de 2003, coluna de ARMANDO NOGUEIRA.



posted by Eduardo Pereira at 14:58

Quinta-feira, Julho 17, 2003

 
Que constelação!

Foram oito match-points para Sérvia e Montenegro e nove para o Brasil. Mas das dezessete bolas que poderiam decidir o jogo, no tie-break do quinto set, as cinco primeiras foram pra eles! E aí surgiram de forma clara as maiores virtudes desse timaço de vôlei dirigido por Bernardinho: concentração absoluta e frieza total. Escrevi timaço? Errei. Temos, na verdade, dois supertimes num só.

Está aí outra diferença fundamental da seleção brasileira para as demais. Ficamos sem Gustavo, que é um dos melhores meios de rede do mundo? Convoca-se André Heller, que entra como se titular fosse e joga uma barbaridade.

Giba cansou? É substituído por um fantástico Giovane, que mesmo sendo o maior pontuador do time, no quarto set da finalíssima volta a dar lugar a Giba, que entra e decide.

Nunca, em tempo algum na história do voleibol, houve uma seleção tão equilibrada entre titulares e reservas. E todos em altíssimo nível técnico!

Méritos inegáveis de Bernardinho, um maestro na arte de selecionar e montar times e táticas mas, acima de tudo, um craque na dificílima missão de administrar egos, vaidades e ambições de um elenco de estrelas que, graças ao seu incrível trabalho, pensa, age, joga e brilha como se fosse um astro só.

***

Será esta a maior seleção brasileira de vôlei todos os tempos? Pergunto a Carlos Nuzman, presidente do COB e mola mestra de todo esse brilhante trabalho na CBV, que teve continuidade e evolução com Ary Graça.

¿ Ainda falta o ouro olímpico para que se possa afirmar isso sem dúvidas. Mas uma coisa garanto: nunca vi um grupo tão forte. Na geração de prata, tínhamos seis, sete grandes jogadores; em Barcelona, na medalha de ouro, sete, talvez oito craques. Agora, os doze são praticamente do mesmo nível!

***

Levanto a mesma bola para Bernard Razjman (o homem das Jornadas nas Estrelas e da seleção de prata mundial e olímpica):

¿ Em termos de resultados, esse time já pode até ser considerado o melhor. Mas acho a medalha de ouro numa Olimpíada algo inigualável. E aposto que o Bernardo, com toda sua capacidade e determinação, não descansará enquanto não conquistá-la.

Bernard lembra que Bernardinho foi o seu ¿levantador pessoal e intransferível¿ de 1970, nas divisões de base do Fluminense, até 1989 ¿ quando parou:

¿ Ele é o maior exemplo que conheço de humildade, altruísmo e busca constante da perfeição. Tem um caráter irretocável. Se preocupa com cada um dos seus jogadores. Esse, pra mim, é o seu maior segredo.

***

Será, então, Bernardinho o melhor técnico do mundo? Volto a Nuzman:

¿ Ele está, certamente, entre os melhores. Eu o vejo no nível do japonês Matsudaira (campeão olímpico em Munique-72), do russo Platonov (que dirigia a máquina soviética no final da década de 70 e início dos 80), do americano Doug Beal (bicampeão olímpico em 84 e 88) e do argentino Julio Velasco (inúmeras vezes campeão da Liga Mundial, dirigindo a Itália).

Nuzman lembra que quando presidiu a Federação de Vôlei do Rio (no início de sua carreira de dirigente) trouxe Matsudaira para fazer uma clínica para os treinadores brasileiros:

¿ Foi em 1973. E sabe quem foi um dos pegadores de bola do Matsudaira na quadra? Bernardinho.

Cá entre nós: embora, na ocasião, ainda fosse jogador infantil, deve ter aprendido mais que os outros...

***

Bernard reforça a opinião de Nuzman, recordando outra passagem da carreira de Bernardinho:

¿ Nós jogávamos no infantil do Fluminense e o Bernardinho, com 13 anos, já era quem fazia a súmula com a armação do nosso time, pois o Bené, o nosso grande técnico, conhecia tudo de vôlei, mas não sabia ler nem escrever.

A relação do treinador da seleção com Bené (falecido no ano passado) era especial. Conta, Bernard:

¿ Bernardinho tinha dois irmãos que também jogavam vôlei: Rodrigo, um ano mais velho, e Guilherme, um ano mais novo. Rodrigo era super-talentoso, mas não gostava de treinar. E o Bené lhe dava a maior guarida. Já o Bernardo era sempre o primeiro a chegar e o último a sair. E tome de levar bronca do Bené...

Anos mais tarde, o próprio Bené explicaria:

¿ Se eu desse bronca no Rodrigo, ele nunca mais voltaria. Já o Bernardo eu sabia que quanto mais bronca levasse mais se esforçaria. Deu no que deu... ¿ dizia, Bené, sorrindo.

***

Bernardinho faz também o elo de ligação entre gerações vitoriosas. Esta já é a terceira o que, para Nuzman, é uma façanha:

¿ Nenhuma potência do vôlei, nem mesmo a Rússia, os EUA ou o Japão, conseguiu três gerações assim como as nossas: a primeira, a de prata (de Bernard, Renan, Xandó, Montanaro e o próprio Bernardinho, entre outros); a segunda, a do ouro olímpico de Barcelona (de Marcelo Negrão, Tande, Giovane, Maurício etc) e a atual. E somos campeões mundiais também no infanto-juvenil e no juvenil...

***

Não foi à toa que recebi e-mails sugerindo Bernardinho para técnico da seleção de futebol. Volto ao Bernard, antes de concluir:

¿ Bernardinho é um gênio. O único atleta de alto nível que conheço que se formou, pra valer, em administração e economia. É filho do maior advogado tributarista do Rio e poderia ter ficado rico, trabalhando no escritório do pai. Ele só continuou no vôlei porque ama demais o esporte.

Diante de tais predicados, acho que se for para trocar o vôlei pelo futebol, o lugar do Parreira não seria o mais indicado. Já a presidência da CBF, hein...

O Globo, Rio, 15 de julho de 2003, caderno esportes, coluna de RENATO MAURICIO PRADO.
rprado@oglobo.com.br


posted by Eduardo Pereira at 06:59

 
O fundamento em que o vôlei brasileiro mais progrediu, sob o comando de Bernardinho, para mim foi o bloqueio.

Na impressionante vitória de 3 a 1 sobre a Rússia, em sua caminhada para a conquista da Liga Mundial, o Brasil deu um show de bloqueio. Justamente contra os reis mundiais desse fundamento ¿ os russos.

Curiosamente, na final com a Sérvia e Montenegro, nosso bloqueio retrocedeu no tempo, não funcionou bem. Se tivesse funcionado, talvez nossa vitória não fosse tão dramática.

Ou será que estou enganado? Quem sabe o responsável pelo desmoronamento do nosso bloqueio tenha sido aquele prodigioso Miljkovic ¿ eleito o melhor jogador da Liga?

Porque se existe fenômeno no vôlei, como existe no futebol, esse fenômeno chama-se, com certeza, Miljkovic.



O Globo, Rio, 15 de julho de 2003, caderno esportes, coluna de FERNANDO CALAZANS, e-mail calazans@oglobo.com.br.



posted by Eduardo Pereira at 06:59

 
Máquina do Brasil

Foi um de semana rico de esportes, mas não há dúvida alguma sobre a forma de começar: só pode ser com o vôlei. Em 2002, campeão do mundo; em 2003, campeão da Liga Mundial. Que time, o do Brasil! Só pode existir um time no mundo para ganhar de Rússia, Itália e Sérvia e Montenegro: é o time do Brasil. Ou melhor: esse time do Brasil, que não é um time, é uma máquina.

Uma máquina de jogar vôlei. Sejamos justos: são duas máquinas de jogar vôlei ¿ a da Sérvia e Montenegro, campeã olímpica, e a do Brasil, campeã do mundo e da Liga Mundial.

Duas máquinas. Tanto que, no infindável tie-break de ontem, qualquer uma das máquinas poderia ter vencido a outra, poderia ter conseguido primeiro os dois pontos de vantagem.

O que dizer de um tie-break que, concebido para durar menos que um set normal, acaba durando muito mais do que qualquer outro e com o placar de 31 a 29? Daquele tie-break só sei dizer uma coisa: muita gente que assistia ao jogo, muita gente mesmo, não conseguiu suportar a tensão, o peso do nervosismo, e foi para a janela, para o quarto, para a cozinha, apenas esperando ¿ mas não vendo ¿ o ponto final.

Que, mesmo diante da televisão, eu também não vi, e não sei até agora se a cortada de Giba foi dentro, foi na linha ou foi fora. Só me dei conta de que o Brasil era o campeão quando Bernardinho atravessou a quadra aos pulos para abraçar Giba.

Agora me diga uma coisa: que técnico no mundo pode se dar ao luxo de escolher entre Giovane e Giba para mandar um só deles à quadra? Dar-se ao luxo e ao desperdício. Porque não deixa de ser também um desperdício ter um deles sentado no banco.

Giba ou Giovane, Ricardinho ou Maurício, André Nascimento ou Anderson, André Heller ou Rodrigão ou Henrique... O grande capitão Nalbert, o líbero Escadinha... Que elenco de jogadores o destino reuniu na mesma época! E que técnico! Tenho a sensação de estar chegando ao trunfo maior da seleção de Bernardinho: qualquer um pode ser reserva ou titular. Todos eles podem entrar ou sair a qualquer momento. São peças capitais da máquina de jogar vôlei que Bernardinho montou. Foi isso que depreendi da campanha brasileira na Liga Mundial.

Uma campanha que inclui vitórias categóricas, indiscutíveis, de 3 a 1, sobre Rússia e Itália. E uma vitória final angustiante, ponto a ponto, sobre a Sérvia e Montenegro, num dos jogos mais extraordinários que eu já vi.

Brasil, país do futebol, país do voleibol.

O Globo, Rio, 14 de julho de 2003, caderno esportes, coluna de FERNANDO CALAZANS, e-mail calazans@oglobo.com.br.


posted by Eduardo Pereira at 06:58

 


A perfeição quase existe
Em uma das colunas anteriores, escrevi que o técnico ideal seria o que tivesse a calma, sensatez, racionalidade e conhecimentos científicos do Parreira e a ousadia, imprevisibilidade, emotividade e capacidade de incendiar e unir os atletas do Felipão. Esse supertécnico existe: é o Bernardinho.
Numa ocasião, assistia a um show do João Gilberto, que não parava de reclamar da qualidade do som da casa. Um espectador, lá de trás, perguntou: ''João, existe a perfeição?'' Ele respondeu: ''Não, mas a imperfeição me incomoda muito.'' Assim são os grandes vencedores, como Bernardinho. Sabem que a perfeição não existe, mas a procura, insistentemente. Nunca estão satisfeitos. Sofrem e comemoram os títulos.
No programa Arena Sportv, Cleber Machado citou uma entrevista do Bernardinho, em que o técnico dizia: ''No vôlei, um atleta pior e que treina mais se torna muito melhor do que um mais talentoso, que treina menos.''
Isso parece evidente em qualquer esporte, porém é muito mais verdadeiro e marcante no vôlei do que no futebol. O vôlei é um esporte muito mais de técnica, de jogadas ensaiadas do que de habilidade. Os lances são mais previsíveis. Talvez o levantador seja exceção. A técnica pode ser muito mais aprimorada com treinos do que a habilidade e a criatividade.
A técnica, em qualquer esporte, não é somente a execução dos fundamentos básicos. É também a capacidade de vencer e superar obstáculos. Isso envolve outros fatores, como a preparação física e emocional, planejamento fora e dentro de campo, a disciplina tática, a garra, a atenção, a consciência das virtudes e deficiências, a competência da comissão técnica e muitas outras qualidades.
Resumindo, além de talento, é preciso ter profissionalismo, como acontece no vôlei brasileiro, dentro e fora da quadra.

Passado e presente
No futebol do passado, predominava muito mais a habilidade, a fantasia e a criatividade do que a técnica e a tática. Era mais lúdico, uma gostosa brincadeira, uma pelada organizada. Os craques repetiam nos gramados o que faziam na infância, nos campos de terra.
Hoje, há em cada esquina uma escolinha de futebol e de negócios, tentando ensinar os fundamentos técnicos aos garotos. Não é momento para isso. A criança precisa se divertir com a bola, sem regras e professores. Nessa fase é que se descobrem e desenvolvem a habilidade e a criatividade. Isso acontece brincando.
Além disso, o menino não tem adequado desenvolvimento psicomotor para aprender os fundamentos técnicos, as regras e as posições em campo. Isso deve ser feito nas categorias de base dos clubes.
A Seleção de 1970, ao mesmo tempo em que encantou o mundo pela fantasia, foi o início do futebol mais técnico, tático e disciplinado. Houve uma grande preparação científica para o mundial.
Não é verdade que a Seleção de 70 só se preocupava em atacar, que cada um fazia o que queria em campo e que não precisava de treinador. A equipe unia o talento individual com o coletivo. Atacava com muitos jogadores e todos recuavam quando perdia a bola. É o que fazem hoje as grandes equipes.
A partir daí, houve uma supervalorização progressiva da tática, do preparo físico, da marcação e do cientificismo no futebol. O esporte ficou menos vistoso e mais competitivo. Há hoje uma tendência ao equilíbrio. A beleza e a eficiência são fundamentais.

Jornal do Brasil, Rio, 16 de julho de 2003, caderno, coluna de TOSTÃO.



posted by Eduardo Pereira at 06:53

Sábado, Julho 12, 2003

 
Bons amigos

Ronaldinho, o Fenômeno, continua curtindo as férias numa boa. Segunda-feira, o craque foi assistir ao show dos Rolling Stones em Paris.

Depois, acabou a noite na boate Queen com... Mick Jagger, que se declarou fã do brasileiro.

O Globo, Rio, 11 de julho de 2003, caderno Rio, coluna de ANCELMO GÓIS.


posted by Eduardo Pereira at 14:36

Segunda-feira, Julho 07, 2003

 
...Concordo plenamente...

Rio ou São Paulo? Quem perder a disputa para se candidatar à sede dos Jogos Olímpicos de 2012 deve chorar suas mágoas e até, se quiser, xingar a mãe do juiz. Mas depois da bronca espera-se que o espírito olímpico prevaleça e o país se una em torno da cidade vencedora.

O Globo, Rio, 07 de julho de 2003, caderno Rio, coluna de ANCELMO GÓIS.

posted by Eduardo Pereira at 20:48

Sábado, Julho 05, 2003

 
"Nós precisamos vencer essa semifinal, mesmo que isso signifique morrer em campo."
Marc-Vivien Foe, jogador da seleção de Camarões, no intervalo do jogo contra a Colômbia, na França. Foe morreu trinta minutos depois, dentro de campo


posted by Eduardo Pereira at 22:21

Quarta-feira, Julho 02, 2003

 
...concordo plenamente...

Tarefa ingrata

Se não fosse aquele segundo gol do Boca Juniors em Buenos Aires, na furada do zagueiro Alex que acabou tirando Fábio Costa do lance, eu estaria aqui apostando no título do Santos no jogo de logo mais que decidirá a Taça Libertadores. Mas tudo isso é ¿se¿. O fato é que o Boca Juniors fez o segundo gol, venceu de 2 a 0, e é esse segundo gol que me tira muito do otimismo para hoje.

A propósito do primeiro jogo, imaginei que a torcida brasileira estivesse toda com o Santos. Qual o quê! Recebi a mensagem de um cidadão indignado que dizia assim: ¿Que Santos nada. Somos Boca desde criancinhas¿. E completava com algumas palavras malcriadas.

Não respondi então, mas respondo agora: Que pobreza de espírito, hein? Que mentalidade pequena.

O cidadão não gosta de futebol, deve gostar só do seu clube. Eu pensava, quer dizer, ainda penso, que, se há um time no Brasil que pode contagiar a torcida em geral, é esse time do Santos. Pela alegria de jogar. Pela juventude. Pelo gosto do drible. Pelo estilo ofensivo.

A mim parece que essas características configuram o gosto da torcida brasileira e o ideal do nosso futebol.

Se não é o gosto da torcida, é pelo menos o meu. Por isso, e apesar de toda a dificuldade que o Santos terá pela frente hoje à noite ¿ a obrigação de vencer por dois, por três ou mais gols até ¿ eu estarei torcendo por Renato, Diego, Robinho & Cia. Como torço sempre pelo bom futebol, e não apenas, em dimensão estreita, por este ou aquele clube.
O Globo, Rio, 02 de julho de 2003, caderno esportes, coluna de FERNANDO CALAZANS.


posted by Eduardo Pereira at 18:30

Domingo, Junho 29, 2003

 
Jogadores vão prestar homenagens na decisão
DO ENVIADO A PARIS

A final da Copa das Confederações, amanhã, entre França e Camarões, não terá o clima festivo típico das decisões. Em luto pela morte de Marc-Vivien Foe, a Fifa cancelou os eventos paralelos à partida, como shows musicais e pirotécnicos. "Tivemos, por motivos óbvios, que adaptar o programa", disse Chuck Blazer, presidente do Comitê Organizador.
Em campo, os jogadores prometem homenagear Foe. Todos seus compatriotas vão aparecer com seu nome nas camisas. "A final será uma festa para Marc, nosso irmão, que nos deixou", afirmou Song, capitão de Camarões.
A seleção da França também vai fazer alguma coisa para lembrar Foe. "Ele era um dos nossos", disse Claude Simonet, presidente da Federação Francesa, lembrando que o africano atuou na maior parte da sua carreira na França.
A Fifa também pretende deixar o nome do jogador na história.
Segundo Joseph Blatter, presidente da entidade, na reunião do Comitê Executivo será discutida a possibilidade de a Copa das Confederações, a partir da próxima edição, em 2005, na Alemanha, receber o nome de Foe. (PC)
Folha de S. Paulo, 28 de junho de 2003, caderno ESPORTES.


posted by Eduardo Pereira at 20:04

Domingo, Junho 08, 2003

 
Real Madrid supera Manchester e torna-se o clube mais rico do mundo

Das agências internacionais
Em Londres (Inglaterra)

O Real Madrid assumiu a posição de clube mais rico do mundo no lugar do Manchester United, de acordo com publicação da revista "World Soccer".

O Real, que tem um rendimento anual de aproximadamente US$ 300 milhões, teve um crescimento maior que qualquer outro clube na temporada passada, quando se sagrou vencedor da Liga dos Campeões, e poderia facilmente contratar o meia David Beckham de seus rivais ingleses.

O Manchester está em segundo na lista com rendimento de US$ 247,2 milhões. O Milan, atual vencedor da Liga dos Campeões, ocupa apenas a quinta colocação.

Apenas mais um clube espanhol, o Barcelona, integra o grupo dos 20 clubes mais ricos. Essa lista é completada por oito ingleses, cinco italianos, três alemães e dois da Escócia.

Confira a lista dos 20 mais ricos pelo rendimento anual (em milhões):

1. Real Madrid US$ 300.5
2. Manchester United US$ 247.2
3. Juventus US$ 232.5
4. Bayern Munich US$ 209.8
5. AC Milan US$ 192.8
6. Chelsea US$ 192.0
7. Barcelona US$ 176.5
8. AS Roma US$ 171.4
9. Liverpool US$ 165.3
10. Arsenal US$ 151.9
11. Inter Milan US$ 149.9
12. Leeds United US$ 136.1
13. Lazio US$ 133.6
14. Borussia Dortmund US$ 122.0
15. Newcastle United US$ 118.4
16. Tottenham Hotspur US$ 108.5
17. Bayer Leverkusen US$ 95.3
18. Celtic US$ 95.0
19. Aston Villa US$ 78.0
20. Rangers US$ 74.8

fonte: UOL Esporte - Últimas Notícias - 11h29 - 06/06/2003



posted by Eduardo Pereira at 09:48

Terça-feira, Maio 27, 2003

 
Todas as homenagens que o Flamengo e o basquete prestarem a Oscar serão justas. A começar por esta do clube de retirar de seu elenco a camisa 14 que Oscar suou e honrou.

Ao contrário do futebol, o basquete não tem camisas que caracterizem posições na quadra. São números aleatórios que podem ir de 1 a 90 ou mais. Enquanto no futebol, me parece uma descaracterização retirar de um time a camisa 10, 11, 6 ou 9, no basquete a homenagem é pertinente e apropriada.

Sai de quadra, assim, a camisa 14 que Oscar eternizou.

O Globo, 27/5/2007, caderno esportes, coluna de Fernando Calazans.

posted by Eduardo Pereira at 22:58

Domingo, Maio 25, 2003

 
Momento histórico

Alguns dirigentes tentaram paralisar o campeonato, o que seria uma desobediência à lei. Imaginaram que a pressão forçaria o governo a adotar uma Medida Provisória e tiveram de recuar, devido à posição firme do ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, e da reação dos torcedores.
Os dirigentes são os responsáveis pela segurança nos estádios, como são os promotores de todos os espetáculos. Isso não dá para negociar. O Código de Defesa do Consumidor é uma das maiores conquistas da sociedade brasileira. No início, em 1991, parecia também utópico, como falam alguns dirigentes sobre o Estatuto do Torcedor.
Garantir os direitos e cobrar os deveres dos torcedores é básico, essencial para que existam estádios seguros e decentes. Dirigentes que não estiverem em condições de assumir responsabilidades não podem ocupar cargos. Viver é também assumir pequenas e grandes responsabilidades. ''Viver é perigoso'' (João Guimarães Rosa).
Todos os artigos foram mantidos na íntegra. Alguns só vão valer daqui a seis meses. Outros, já estão valendo, como fixação de tabelas e borderôs na entrada dos estádios, sorteio público dos árbitros, monitores para orientar os torcedores, um médico, dois enfermeiros e uma ambulância para cada dez mil torcedores, comprovante de compra de ingresso, estacionamento (mesmo pagos), boas condições para idosos, crianças e deficientes físicos e banheiros limpos e em número suficiente.
O torcedor precisa reclamar os seus direitos e cumprir as obrigações. Por outro lado, é compreensível que muitas coisas levarão tempo para funcionar bem. Para isso, são necessárias campanhas de esclarecimento, como na época da implantação do Código do Consumidor.
Por que, só depois de mais de um ano de discussões, os clubes tentaram radicalizar? Foi uma decisão planejada ou súbita, já que muitos dirigentes e clubes não foram convidados ou não sabiam do motivo da reunião?
Penso que alguns dirigentes prepotentes tinham certeza que o Estatuto do Torcedor e o projeto de moralização do esporte não seriam aprovados no Congresso e nem sancionados sem vetos pelo presidente. Depois, acharam que nada era para valer e que tudo seria resolvido na votação do Estatuto do Desporto, que vai incorporar essas leis.
De repente, levaram um susto e perceberam que alguns artigos já estavam valendo. Entraram em pânico. Daí, a decisão precipitada de afrontar a lei e pressionar o governo. Agora, se acusam sobre quem foi o mentor da desastrada atitude.
Muitos dirigentes, para não serem fiscalizados e viverem à margem das leis, sempre disseram que o futebol é assunto privado. Não querem dar satisfações a ninguém, a não ser aos seus amigos conselheiros de clubes e federações.
Isso terminou. Para sempre. O futebol é um esporte de interesse público e comercial. Será fiscalizado como qualquer empresa. O dirigente passa a ser responsável pelos seus atos.
Mas, o confronto não terminou. Vão tentar mudar muitos artigos na votação do Estatuto do Desporto. Não conseguirão. Poderão aperfeiçoá-los. A sociedade está atenta. Os torcedores precisam cobrar dos dirigentes de seus clubes.
Metade dos clubes se posicionou contra a paralisação do campeonato. Isso é muito importante. Os dirigentes sensatos já perceberam que o país está mudando. Os cartolas que não se adaptarem à nova situação terão de deixar os seus cargos.
Alguns dirigentes contrários à paralisação foram contundentes. Paulo Carneiro, presidente da empresa que administra o Vitória, deu uma aula de cidadania e de sensatez ao presidente do Cruzeiro, Alvimar Perrella, num debate na ESPN Brasil.
O presidente do conselho do Atlético-MG, Alexandre Kalil, teve uma atitude digna, ao deixar o futebol do clube, por discordar do apoio do presidente à paralisação.
Corinthians, São Caetano, São Paulo, Paraná, Vitória, Figueirense, Bahia, Botafogo, Guarani e Coritiba não concordaram com a paralisação, o que não significa que são a favor de todos os artigos. Alguns podem ser discutidos, precisam ser aperfeiçoados, mas não se pode descumprir a lei.
Este é um momento histórico do futebol brasileiro. As leis precisam pegar, no esporte e em toda a sociedade.

Jornal do Brasil, Rio, 25 de maio de 2003, caderno, coluna de Tostão.


posted by Eduardo Pereira at 11:28

Domingo, Maio 18, 2003

 
Por falar em crise, e o São Paulo, hein? A equipe injustiçada pelo "mata-mata" de 2002, agora paga um mico nos pontos corridos do Brasileirão e no mata-mata da Copa do Brasil. Pelo visto, o problema não era o Oswaldo de Oliveira. Não seria a diretoria?

O Globo, Rio, 18 de maio de 2003, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.

posted by Eduardo Pereira at 10:25

Domingo, Abril 13, 2003

 
Se o amigo perguntar a um jogador de rúgbi qual a diferença entre esse esporte e o futebol, possivelmente, ouvirá a seguinte resposta: ''O futebol é um esporte inventado por cavalheiros e jogado por bárbaros. O rugby é um esporte inventado por bárbaros e jogado por cavalheiros.'' É isso aí.

Jornal do Brasil, 13 de abril de 2003, coluna de Armando Nogueira.

posted by Eduardo Pereira at 16:52

Sábado, Abril 12, 2003

 
Radical

Uma das maiores feras do skate mundial, o brasileiro Bob Burnquist foi contratado pela Globo para comentar a transmissão dos X-Games, no ¿Esporte espetacular¿ amanhã. Ele é um dos maiores ídolos do esporte e veio ao Rio só para o evento.

Jornal O Globo, 12/4/2003, coluna de Controle Remoto.


posted by Eduardo Pereira at 20:47

Domingo, Março 16, 2003

 
Um dia, a casa cai

A diretoria do Fluminense ficou feliz com o artigo em que condenei o abuso da CBF, negando-se a devolver o jogador Carlos Alberto, que está na seleção, a essa altura, a serviço dos interesses comerciais de seus agentes; agentes, vírgula, de seus proprietários.

Desde logo, agradeço, desvanecido, o gesto de cortesia do telefonema que me deu o porta-voz do clube, mas confesso: ficarei mais desvanecido se o Fluminense oficializar seu protesto, inclusive, provando que a carreira de Carlos Alberto é gerenciada por funcionários da CBF.

Naturalmente, a representação terá de ser feita à Fifa, embora todos saibam que a bronca, como tantas outras, não dará em nada. Sepp Blatter é um vivaldino de marca maior. Entre qualquer clube e a CBF, ele fechará, sempre, com quem tem voto. A Fifa não merece confiança. É lá, na Suíça, a nova pátria do Silveirinha, que se refugiam todos os pecados da cartolagem que manipula o futebol mundial. Mas vale botar a boca no mundo. Pelo menos, torna-se pública e notória, uma vez mais, a falta de escrúpulos com que se comanda o futebol.

E não é só o Fluminense que está sendo prejudicado. A prepotência sobra pros outros clubes que deram força à Seleção Sub-20 e cujos jogadores tiveram de ficar por lá, disputando coisa alguma, num torneio de coisa nenhuma.

Haverá quem diga que denunciar o escândalo é chover no molhado. Pois, então, com licença da gramática, chovamos! Chovamos todos os bem-intencionados do futebol porque, um dia, a casa acaba caindo. De podre.


Jornal do Brasil, 09 de março de 2003, coluna de Armando Nogueira.


posted by Eduardo Pereira at 15:20

Domingo, Março 09, 2003

 
Mauro Galvão está fazendo, no Vasco, uma experiência da maior importância: trabalhar com os zagueiros os fundamentos básicos da posição: marcação, seja cercando, seja antecipando e cabeceio defensivo, um olho na bola, outro no adversário. Foi exatamente assim que ex-goleiros conseguiram elevar o padrão técnico da classe, dando nível superior aos goleiros do Brasil. A idéia do Vasco é louvável, a começar pela escolha do professor. Mauro Galvão foi mestre na grande área.

Jornal do Brasil, 09 de março de 2003, coluna de Armando Nogueira.

posted by Eduardo Pereira at 22:18

 
Acabou a farra do boi que permitia à CBF faturar milhões em amistosos em qualquer canto remoto do planeta, às custas, principalmente, dos jogadores que atuam no exterior. Que tal, agora, a entidade ajudar os nossos clubes a manter as estrelas? Aí fica mais fácil convocá-las e continuar faturando. É hora de repartir, dona CBF...


***
Wanderson Benevides, o Bibi, era o principal narrador esportivo da Rádio Difusora de Jataí, no interior de Goiás. No final dos anos 60, o clássico da cidade entre Jataiense e Botafogo rolava eletrizante. Entra a vinheta do tempo de jogo e Bibi solta o seu conhecido vozeirão tonitruante:

- O tempo não pára! Decorridos, pelo meu cronômetroooooo...

E Bibi vai espichando o terceiro ¿o¿ do cronômetro e os olhos pela cabine atrás do maldito relógio com o tempo de jogo. Nada. Sumiu! Microfone ainda aberto, ele emenda, com ódio:

- E quem foi o "fidumaégua" que surrupiou o meu cronôôômetroooo?!?


***


Na mesma época, jogavam na Jataiense, time do coração de Wanderson Bibi Benevides, os irmãos Gilson e Jailson. Mal comparando, eram como Pelé e Coutinho, tal a facilidade que tinham para tabelar.

No eterno clássico contra o Botafogo, os irmãos iniciam uma troca de passes na direção da área e Bibi narra empolgado:

- Lá vai Gilson, toca para Jailson, que devolve a Gilson. Gilson para Jailson, Jailson para Gilson...

O lance chega à pequena área e nenhum dos irmãos define a jogada. Exasperado, Bibi coloca a cabeça para fora da cabine e grita a plenos pulmões, sem desligar o microfone:

- Chuta, desnaturado!!!

***

Não entendi o COI decidir que caberá aos cartolas a indicação das duplas do vôlei de praia nas Olimpíadas. O que quer dizer isso? Que é preciso ser amiguinho (a) dos dirigentes da CBV ou do COB para ir aos Jogos? Se o critério não for o ranking obtido através dos resultados será um escárnio ¿ e um escândalo!

O Globo, Rio, 09 de março de 2003, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.

posted by Eduardo Pereira at 19:37

Quinta-feira, Março 06, 2003

 
Bom para a torcida
A briga pelos direitos de transmissão do Paulista, mesmo com golpes baixos dos dois lados, lembra como é saudável a concorrência. Se não fosse por ela, o jogo de ontem nunca seria às 21h. A Globo achava impossível (ou desnecessário) mexer na sua programação para melhorar a vida dos torcedores.

Ruim para todos
Em compensação, os jogos às 11h não são nada recomendáveis para atletas, juízes, repórteres, câmeras e torcedores que fritam no sol. O câncer de pele é o tipo mais freqüente de câncer, e a principal causa é a exposição aos raios ultravioleta do sol (fonte: www.inca.gov.br). Faz-se tanto escândalo por causa de outras coisas que fazem mal à saúde, e deixam isso para lá...

Folha de São Paulo, 06 de março de 2003, caderno Esporte, coluna Soninha.

posted by Eduardo Pereira at 17:03

 

A vingança na bandeja

Já virou jargão esportivo chamar de "garçom" o atacante que, com boa visão de jogo, se especializou em servir os colegas e deixá-los na cara do gol.
Essa gíria, porém, não existia nos anos 80 quando Cilinho, à época técnico do São Paulo, viveu uma noite de fúria em um restaurante de Recife.
Após a derrota para o Sport, a delegação são-paulina ainda teve de amargar um pernoite na cidade ouvindo rojões da torcida rival, afinal, não havia vôos noturnos de retorno para SP.
Insone, Cilinho preferiu descer para o restaurante do hotel. Lá chegando tentou de tudo para chamar o distraído garçom. Arrastou a cadeira, acenou e nada. Quando finalmente o garçom apareceu, Cilinho ralhou:
- Tem duas coisas que não suporto na vida: centroavante e garçom de cabeça baixa.

Folha de São Paulo, 06 de março de 2003, caderno Esporte, coluna Painel FC, CONTRA-ATAQUE.


posted by Eduardo Pereira at 17:01

Domingo, Março 02, 2003

 
...PACE...

posted by Eduardo Pereira at 23:12

Sexta-feira, Fevereiro 28, 2003

 
...PEACE...

posted by Eduardo Pereira at 09:37

Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003

 
...PAZ...

O morto que apavorou os marines

A paranóia norte-americana após o 11 de setembro de 2001 provocou a invasão do Afeganistão e agora ameaça o Iraque, mas, por outro lado, também gerou uma cena hilária em um estádio de Seattle.
Na manhã de 24 de maio de 2002, um avião Cessna sobrevoou o Safeco Field, local dos jogos da equipe de beisebol Seattle Mariners, cujo dono é Bill Gates.
O time estava nos vestiários, mas no gramado já trabalhavam os roupeiros com o material de treino. Nesse instante, do avião foi lançado um pó branco.
Achando que era antraz, todos correram, e o estádio foi evacuado. "Parece se tratar de ataque como o do WTC", afirmou o chefe local dos bombeiros, Harold Webb. O pó, na verdade, eram as cinzas de um torcedor fanático, que, cremado, queria se eternizar no estádio.

Folha de S.Paulo - Painel FC - 26-02-2003, CONTRA-ATAQUE.

posted by Eduardo Pereira at 01:51

Terça-feira, Fevereiro 25, 2003

 
Márcio Goulart envia uma da série, ¿perguntar não ofende¿:

"Depois de gastar US$ 35 milhões na reforma da pista do Autódromo, para viabilizar o Mundial de Moto e a Indy, o (mesmíssimo) prefeito resolve mudar de brincadeira e agora quer construir o parque olímpico no (mesmíssimo) local. Será que ele pensa que aquilo é o quintal de sua casa?"

O Globo, Rio, 25 de Fevereiro de 2003, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.


posted by Eduardo Pereira at 14:00

Domingo, Fevereiro 23, 2003

 
...PAZ...

posted by Eduardo Pereira at 00:25

Sábado, Fevereiro 22, 2003

 
FUTEBOL

Realidades paralelas

Já virou um clichê dizer que não existe um Brasil, mas dois: o oficial e o real.
Essa afirmação ganhou força nos últimos dias, em que aconteceram simultaneamente duas coisas contraditórias: na quarta-feira, foi aprovado pela Câmara Federal o Estatuto de Defesa do Torcedor; na quinta, a CBF confirmou que vai desrespeitar as regras estabelecidas por ela mesma, colocando o Cruzeiro e o Flamengo na Copa Sul-Americana, em vez do Atlético-MG e do Juventude, que haviam conquistado esse direito no campo.
Para quem não se lembra, os seis clubes brasileiros que participariam da Sul-Americana seriam aqueles que ficassem entre a terceira e a oitava colocação no Brasileiro de 2002. O campeão e o vice brasileiros -Santos e Corinthians- participariam apenas da Libertadores da América. Portanto, os clubes brasileiros na Sul-Americana seriam Grêmio, Fluminense, São Paulo, São Caetano, Atlético-MG e Juventude.
Depois disso, a Conmebol abriu mais duas vagas para times brasileiros no torneio.
Diante disso, a CBF, se quisesse manter o que havia estabelecido, poderia simplesmente incluir o Santos e o Corinthians no grupo ou -o que talvez fosse mais indicado- conferir as vagas extras ao nono e ao décimo colocados no Brasileirão do ano passado (Cruzeiro e Vitória).
Mas a entidade máxima do futebol brasileiro não fez nada disso: desrespeitando o direito adquirido pelo Atlético-MG e pelo Juventude, zombando da boa-fé dos torcedores, destruindo o último fiapo de credibilidade que ainda lhes restava, Ricardo Teixeira e sua turma guindaram à Sul-Americana o Cruzeiro e o Flamengo, que não tinham entrado nessa história.
Pouco importa a desculpa apresentada para a escolha dos amigos do rei: a posição de ambos no ranking da Conmebol. A atitude da CBF equivale a uma virada de mesa e contradiz frontalmente o Estatuto do Torcedor, segundo o qual a participação em competições deve ser determinada "por critério técnico previamente definido".
Diante dessa violência, há duas reações possíveis: 1) engolir mais esse sapo, considerando-o sinal dos últimos estertores da camarilha que ainda domina o futebol, e que deverá ser varrida deste último; ou 2) contestar o golpe em todas as trincheiras possíveis: na Justiça desportiva, na Justiça comum, junto à Fifa, junto ao governo federal, na mídia, nos estádios etc.
A julgar pelas dezenas de e-mails indignados que recebi nos últimos dias, os torcedores estão mais inclinados à segunda opção. Estou com eles.
O golpe da CBF não é apenas contra o Atlético-MG e o Juventude, mas contra todo o futebol brasileiro. A rigor, até os torcedores do Cruzeiro e do Flamengo -clubes circunstancialmente beneficiados pela medida- deveriam protestar. Amanhã ou depois, dependendo dos interesses escusos da cartolagem, os lesados podem ser eles mesmos.É preciso mudar definitivamente a cultura do nosso futebol.
Regras claras, respeito ao que foi estabelecido, transparência nas relações entre entidades e clubes, incentivo à competitividade dentro do campo de jogo. Se esses requisitos básicos não forem cumpridos, correremos o risco de matar a galinha dos ovos de ouro, jogando na lata do lixo o fabuloso futebol que nos consagrou.

Folha de São Paulo, 22 de fevereiro de 2003, caderno Esporte, coluna Futebol, de JOSÉ GERALDO COUTO, COLUNISTA DA FOLHA.


posted by Eduardo Pereira at 23:33

Sexta-feira, Fevereiro 21, 2003

 
Recebo e-mail de um velho amigo, cracaço de bola ¿ e agora também do microfone. Fala, Júnior:

Renato, como apaixonado pelo Beach Soccer, estou meio preocupado. O que fez esse esporte ser admirado pelos torcedores, em seu início, foram justamente a criatividade e o talento de gente como o Galo (Zico), (Cláudio) Adão, Edinho e o Paulo Sérgio (e, principalmente, ele próprio, Júnior, que por pura modéstia não se incluiu na lista).

Sinto que estamos começando a dar mais ênfase a táticas e a jogadas ensaiadas do que ao poder do Neném, do Jorginho, do Juninho, do Benjamim etc de desequilibrar qualquer jogo, com o talento natural de quem começou a dar os primeiros passos na areia.

Não sou contra as táticas, muito pelo contrário, adoro as coisas organizadas, porém, estou vendo, no começo deste Mundial, que a beleza e a plasticidade do jogo estão ficando em segundo plano. Será que vamos passar pela mesma fase do futebol de campo?

A França, com muita vontade e sobretudo categoria de seus jogadores, ganhou de Portugal, que atuou preso a um sistema de jogo que tirou do Alan e do Madjer o que eles têm de melhor e até o Brasil teme ¿ talento.

Espero que a gente volte a exibir aquilo tudo que, durante muito tempo, levava a galera a acordar cedo para ver os jogos. Abração do amigo Júnior.

PS: Se alguém perguntar por que parei de jogar diga que foi por incompatibilidade de idéias: eu queria (e quero!) desenvolver o esporte enquanto tem gente que só pensa em grana.

O Globo, Rio, 21 de Fevereiro de 2003, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.


posted by Eduardo Pereira at 13:58

Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003

 
Driblar é versejar

Robinho confirma, em inquérito esportivo, que o árbitro Anselmo da Costa, de Santos x Paulista de Jundiaí, ameaçou expulsá-lo de campo se insistisse em abusar do drible. Contado, assim, ninguém acredita. Mas que é verdade, ninguém duvide. Há quem considere o drible um mal desnecessário. Pra muito técnico, é atraso de vida; pros energúmenos, é desfeita.
Conto sempre um episódio de que foi testemunha o nosso Zico. Há alguns anos, passava ele pelo campo do Flamengo, quando ouviu o técnico do juvenil dar uma bronca tremenda em alguém. Parou e viu tudo: o feitor esbravejava com um dos guris que estava driblando, quando devia passar a bola a um companheiro, o mais depressa possível.
Quem não conhece a clássica história do juiz Amílcar Ferreira? Certa noite, no Maracanã, ele jurou Garrincha de expulsão se ele continuasse a debochar do lateral do América, com seus dribles de efeito. Policial que era podia até ter algemado Garrincha.
Garrincha foi, seguramente, o driblador mais fustigado da história do futebol brasileiro. Se o drible não fosse a sua própria natureza, teria se transformado num pontinha como outro qualquer. Seria, então, um jogador tecnicamente correto...
Estou me lembrando de dois narradores de rádio e tevê que implicavam, cruelmente, com os dribles de Garrincha. Um se chamava Tabajara (Tajes, seria?). O cara passou a Copa de 62 infernizando o coitado. Dizia que Garrincha desperdiçava os ataques da Seleção com sua teimosia em prender a bola. Prender a bola! Quem merecia ser preso era o Tabajara.
Ari Barroso era outro desafeto dos dribles de Garrincha. Toda vez que Garrincha pegava na bola, começava a lengalenga: ''Garrincha está com a bola. Olha lá, olha lá, ele vai querer driblar e vai perder essa bola!'' Garrincha chegava à linha de fundo, e quando não fazia, ele, um gol, punha um colega na cara do gol. Mas Ari não se penitenciava. Até que um dia jogou a toalha, confessando ao amigo de copo e de vida, o poeta Paulo Mendes Campos: ''Paulinho, cansei de morder a língua. O Garrincha me derrotou. O cara é um demônio no drible.''
Há poucos dias, li que o técnico Renato Gaúcho teria recomendado ao jovem Carlos Alberto mais comedimento no ato de driblar. Carlos Alberto é um talento e tanto. Mas a nova ordem é esta: drible, só perto da área. Ora, o drible não é, senão, um sopro divino. É como um verso. É como uma canção. Nasce, inesperadamente, irresistivelmente. Drible é invenção e invenção ninguém planeja. O drible simplesmente acontece e acontece a despeito do driblador.
Conto sempre um caso antológico ocorrido no Botafogo e que não é molecagem do Sandro Moreyra. Sucedeu, mesmo. Zezé Moreira era vidrado em tática. O jogador, pra ele, era uma peça que ele movia como um bom enxadrista. O homem cismou que Garrincha subvertia suas teorias, driblando além da conta. Que fez Zezé, um dia? Em dado momento, suspendeu o treino coletivo. Mandou o time inteiro ficar sentado no grande círculo. Pegou, então, uma cadeira e pôs, bonitinha, bem na quina da grande área. A cadeira era o marcador de Garrincha. Entregou a bola a Garrincha e mandou que ele viesse, correndo, de lá da linha central. A ordem era: assim que deparasse com a cadeira, Garrincha tinha que centrar a bola pra área.
Lá vem Garrincha, tocando a bola, em alta velocidade. De repente, à sua frente, a cadeira. Garrincha não hesitou: enfiou a bola entre as pernas da cadeira, apanhou adiante e, como o goleiro estivesse sentado no grande círculo, ele aproveitou e entrou no gol com bola e tudo.
Esta crônica vai pros dribles de Robinho, com todo o meu entusiasmo.

Jornal do Brasil, 19 de fevereiro de 2003, coluna de Armando Nogueira.


posted by Eduardo Pereira at 15:03

 
Carlos Alberto, o jovem meia do Fluminense, está ajudando a nova geração do futebol brasileiro a mostrar que o talento, a habilidade e a classe estão derrotando outra vez a ignorância e a força bruta.

Carlos Alberto está de braços dados com Robinho, com Diego, com Kaká, com Renato, com Daniel Carvalho e outros.

No jogo do meio de semana do Fluminense, um brucutu do Madureira, Daniel, que se irritou com seus dribles e deu-lhe um carrinho por trás, foi muito bem expulso de campo pelo juiz, deixando seu time com dez jogadores. Em outro drible, Carlos Alberto foi derrubado dentro da área, e o árbitro marcou pênalti: mais um gol do Fluminense, de Romário.

E é assim, jogando futebol de verdade, como Carlos Alberto, que a arte vai superando a truculência. Basta que os árbitros tenham coragem e autoridade para observar as regras do jogo, como fez o juiz Jorge Rabelo ¿ e pronto: quem ganha não é apenas o Carlos Alberto, não é apenas o Fluminense. Quem ganha é o futebol.

Futebol que Carlos Alberto quer voltar a exibir hoje contra o Volta Redonda.

***

Um árbitro chamado Anselmo da Costa (árbitro é modo de dizer) parece ser justamente o oposto: um árbitro-brucutu.

Em depoimento ao Tribunal de Justiça Desportiva em São Paulo, Robinho confirmou as ameaças desse juiz para que ele, Robinho, parasse de driblar os adversários.

O tal Anselmo detesta futebol. Além do mais, é ignorante: não sabe que a essência das regras do jogo é justamente dar garantia a quem sabe jogar. O citado juiz revela-se assim um adepto do antifutebol.


***

A seleção inglesa perdeu de 3 a 1 para a modesta seleção da Austrália nas barbas de sua torcida, em Londres, mas pelo menos uma possante voz da terra levantou-se em sua defesa: o técnico Alex Ferguson, do Manchester United.

Para ele, a culpa não foi dos jogadores nem do técnico Sven Goran-Eriksson.

¿ A culpa é das Federações, do calendário. São jogos atrás de jogos, não há quem agüente. Discutimos esse assunto há 25 anos, sempre dizendo que há muitos jogos, e ninguém toma uma decisão para fazer o que é melhor para o futebol.

Mas, cá entre nós, não parece discussão aqui do futebol brasileiro?

É, na verdade, o mercantilismo, a ganância, a superdose de jogos dominando o futebol mundial.

O Globo, Rio, 16 de fevereiro de 2003, caderno esportes, coluna de Fernando Calazans.


posted by Eduardo Pereira at 15:03

Sexta-feira, Fevereiro 14, 2003

 
NAS QUATRO LINHAS

Se o mexicano "O Crime do Padre Amaro" (único latino na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro) não levar a estatueta, o ator Gael García Bernal, que interpreta o padre, terá mais uma chance de repetir o seu bordão favorito: "Jogamos como nunca e perdemos como sempre".

Gael confidenciou ao diretor Walter Salles, que o dirige no inédito "Diários de Motocicleta", que costumava usar a frase quando garoto, toda vez que a seleção brasileira derrotava a do México.
Folha de São Paulo, 14 de fevereiro de 2003, caderno Ilustrada, coluna de Mônica Bergamo.

posted by Eduardo Pereira at 19:55

Domingo, Fevereiro 09, 2003

 
Os campeonatos regionais, que mostraram na prática serem melhores e mais rentáveis do que os estaduais, desapareceram. Os estaduais continuam por causa da política de troca de favores e de votos entre a CBF, federações e clubes.

Jornal do Brasil, Rio de Fevereiro, 09 de fevereiro de 2003, caderno, coluna de Tostão.

posted by Eduardo Pereira at 22:23

 
Craque pinta cedo



Tenho lido e ouvido gente fina do futebol, pisando em ovos quando fala do talento de Robinho e de Diego. Evitam tratá-los como craques. Preferem dar um tempo pra poder sentenciar com absoluta convicção. Sabe como é: de repente, o garoto perde o passo, some na vala comum dos esquecidos e quem apostou nele acaba ficando com cara de tacho.
Eu, pelo contrário, não consigo segurar a minha língua. Se acho que o garoto tem pinta, vou fundo. Está sendo assim com os dois guris do Santos, e assim foi, também, com Kaká. Em meia-dúzia de partidas do time do São Paulo, fui logo me empolgando. Vi que o espírito soprava naqueles pés habilidosos. Passei a exaltar o futebol de Kaká como coisa de craque.

Vi o primeiro treino de Garrincha, e saí embasbacado. No dia seguinte, eu escreveria no Diário Carioca uma nota, dizendo que tinha visto uma coisa assombrosa no campinho do Botafogo: um pontinha endiabrado que, no treino, tinha ignorado seu marcador, um certo Santos (mais tarde, Nilton Santos). O tal pontinha, ou seria o maior blefe ou seria o maior fenômeno do futebol brasileiro.

É claro que já quebrei a cara milhões de vezes. Não dá nem pra enumerar, tantos foram os meus vacilos. Proclamava um novo craque e, em pouco tempo, ninguém mais ouvia falar da minha revelação.

A vida é assim: quem está na chuva tem que se molhar... Uma coisa, me parece indiscutível: o talento pinta é cedo mesmo. Não está errado quem atribui distinção e louvor ao futebol de Robinho e de Diego. Os dois têm bola pra dar e vender. Ambos já nasceram bem dotados. Tal como Kaká. Tal como esse outro garoto chamado Carlos Alberto, do Fluminense, que tem um toque de bola diferenciado e que, pra idade dele, é de uma clarividência admirável. Se vão confirmar a pinta, aí, amigo, são outros quinhentos. Eles podem: 1) ficar mascarados; 2) cair nas mil tentações da fama e da fortuna; 3) entrar no jogo ávido dos empresários; 4) soçobrar no regaço de uma tórrida maria-chuteira...

Noves fora, eu embarco, tranqüilamente, na canoa desses quatro garotos.

E seja o que Deus quiser!

Jornal do Brasil, 09 de fevereiro de 2003, coluna de Armando Nogueira.

posted by Eduardo Pereira at 22:11

 
E não é que o Felipão cruzou os mares para encontrar, lá na terrinha, um Romário lusitano? Não há uma entrevista sequer em que os coleguinhas de Portugal não lhe perguntem por que não convocou o João Pinto. Que sina!

O Globo, Rio, 09 de Fevereiro de 2003, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.


posted by Eduardo Pereira at 21:50

Quarta-feira, Fevereiro 05, 2003

 
O Brasil é pentacampeão não porque produz um grande número de bons e excelentes jogadores, e sim porque revela um pequeno número de craques. São esses que fazem a diferença. Numa Copa do Mundo, o Brasil é favorito porque tem sempre três a quatro excepcionais. As outras principais seleções têm um, no máximo dois.

Folha de São Paulo, 05 de fevereiro de 2003, caderno Esporte, coluna Futebol, de Tostão, colunista da Folha.



posted by Eduardo Pereira at 13:10

 
TÊNIS

Ele, ele... E ele

O Brasil abre, mais uma vez, a temporada na elite, no Grupo Mundial da Copa Davis, felizmente. Mais uma vez, infelizmente, a estréia é fora do país.
Mais uma vez, obviamente, o piso escolhido pelos adversários, o carpete, é muito diferente de um saibro, que nos daria conforto, um pouco de segurança. Discretamente, mais uma vez, a outra equipe, desta vez formada pelos suecos, sai com uma ligeira dose de favoritismo.
E, mais uma vez, realmente, as esperanças nacionais estão depositadas todas sobre os ombros de Gustavo Kuerten. Infelizmente (ou felizmente?).
Se Kuerten não estiver em um bom fim de semana, três dias de muita inspiração, com seu talento habitual, as chances do Brasil, a partir desta sexta-feira, em Helsinborg, não são grandes. São, honestamente, muito pequenas, algo quase perto do impossível.
Mas, se Kuerten estiver em uma boa fase, ufa!, aí o Brasil terá alguma chance contra a Suécia. Ex-número um do mundo, ele pode ganhar os seus dois jogos e ser decisivo também nas duplas. Uma surpresa aqui (com André Sá), outra surpresa acolá (com Jonas Bjorkman), e pronto: o Brasil vai às quartas-de-final. Mais uma vez, é Guga ou eles.

Há dois anos, a esta coluna, John Fitzgerald, o capitão australiano, revelou o que os rivais fazem para enfrentar e vencer um confronto com os brasileiros: jogam o que podem nas duplas.
Explicação: perder dois jogos para Gustavo Kuerten, no saibro, no carpete, no tapete ou na grama, não é vergonhoso para nenhum tenista no mundo. Ganhar os outros dois jogos de simples, seja contra Fernando Meligeni, André Sá ou Flávio Saretta, é dever de casa, pura obrigação.
Logo, com duas vitórias e duas derrotas de cada lado, o jogo que decide é o de duplas. Tomara que André Sá, na simples, enterre de vez essa maldita lógica e tática adversária.

Mats Wilander, ex-número um do mundo e capitão da equipe sueca, tem muitos defeitos, mas "ser bobo" não é um deles. Vai fazer esse óbvio: escalar, no primeiro dia, não o seu segundo melhor tenista, mas aquele que conseguirá resistir mais tempo a Kuerten, se possível levando a partida para o quinto, longo, desgastante e decisivo set. Porque os suecos, como os australianos, os franceses e os espanhóis, terão como estratégia cansar, cansar e cansar Kuerten no primeiro dia. E jogar todas as bolas sobre ele no jogo de duplas, no sábado.
Se tudo isso der certo, Kuerten jogará contra Enqvist, no domingo, bastante desgastado. Terá jogado horas e horas na sexta, terá jogado uma partida de duplas intensa no sábado. Estará sob pressão, precisando ganhar para ainda respirar. Aí, pensam os suecos, Enqvist, descansado, com apenas um jogo de três sets na sexta, pode fechar o confronto em 3 a 1.
Mas, mesmo que falhe, os frios e calculistas suecos sabem que o quinto jogo colocaria um experiente Bjorkman, em casa, contra Sá. Ponto garantido, pensam sempre os rivais. Afinal, fala o mundo inteiro, o Brasil é time de um jogador só: Gustavo Kuerten.
Talvez, algum dia, Sá, Saretta, Mello ou Zé prove que não é bem assim. Pode ser agora. Pode ser nunca.

A volta
Pela primeira vez desde outubro de 2001, Lindsay Davenport conquista um título. Bateu Monica Seles na final em Tóquio. Mostra que está recuperada da cirurgia no joelho. Davenport aproveitou para soltar o verbo contra Martina Hingis. Quando perguntaram se ela acredita na sua volta, disse que não. "Acho que ela não quer voltar a jogar para perder de tenistas das quais jamais perdeu."

A vinda
O espanhol Emílio Sánchez estará neste fim de semana em São Paulo ministrando clínica para juvenis e palestra para treinadores. Ex-top ten, tem uma das academias mais badaladas da Europa.

O começo
O Pinheiros (SP) abre segunda o primeiro torneio future no país. Vai até dia 16 e terá, no saibro, tenistas em início de carreira e juvenis em transição. Na outra semana, o circuito vai para Goiás.

Folha de São Paulo, 05 de fevereiro de 2003, caderno Esporte, RÉGIS ANDAKU, COLUNISTA DA FOLHA .

posted by Eduardo Pereira at 13:07

Sexta-feira, Janeiro 31, 2003

 
Mão santa

Rei do basquete brasileiro, Oscar completa 45 anos no dia 16.

Para registrar a data, uma equipe do Trans World Sports, de Londres, vem produzir um programa sobre o craque, que será distribuído para 120 países.

O Globo, Rio, 31 de janeiro de 2003, caderno Rio, coluna de Ancelmo Góis.

posted by Eduardo Pereira at 01:45

Quinta-feira, Janeiro 23, 2003

 
Paixão dentro e fora das quadras

Ainda antes de casar com Andre Agassi, a alemã Steffi Graf encerrou a carreira de tenista.
Desde outubro de 2001, tem se preocupado mais em cuidar do marido, que continua com tudo na ativa, e do filho, Jaden Gil, que está com um ano e três meses de idade.
Mas os tempos de tranquilidade podem acabar. Graf foi fazer uma aposta com o marido, que é norte-americano, e pode acabar se dando mal, tendo que pegar de novo no batente.
Se Agassi vencer o Aberto da Austrália, que acontece em Melbourne e do qual Gustavo Kuerten e Lleyton Hewitt já foram eliminados, Graf volta a jogar.
- Ela terá que jogar duplas comigo em Paris [em Roland Garros], disse o americano.
Aposta, afinal, é aposta.
Só que quem pensa que a alemã pode dar vexame no retorno está redondamente enganado, diz Agassi. Quem pode passar por constrangimento é ele.
- É que ela sempre ganha de mim quando jogamos. O problema, na verdade, é que [com ela em quadra] eu não consigo manter o olho na bola...

Folha de São Paulo, 22 de janeiro de 2003, caderno Esporte, coluna Painel FC, CONTRA-ATAQUE.


posted by Eduardo Pereira at 13:55

 
Comparação

O ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, ganhou de presente do dono do jornal O Lance!, Walter Mattos, um livro sobre Ronaldinho, escrito por Jorge Caldera. O objetivo do mimo: mostrar ao ministro a evolução do futebol europeu em comparação ao brasileiro, que estagnou. É por isso que os nossos ronaldinhos vão sempre jogar lá fora.

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 2003, caderno Caderno B, coluna de Márcia Peltier.



posted by Eduardo Pereira at 13:55

Domingo, Janeiro 19, 2003

 
Show de bola

Quem acredita que o golfe não tem nenhuma semelhança com o futebol deverá rever os seus conceitos. A Penalty acabou de lançar no mercado a bola Precision (ao lado), que utiliza uma tecnologia semelhante à das bolas de golfe, esporte em que a precisão é fundamental. A Precision tem em sua camada externa cerca de duas mil cavidades que prometem diminuir a interferência do vento na sua trajetória. Além disso, a fabricante garante maior maciez e elasticidade. Com a aprovação da Fifa, a Precision será a bola oficial dos campeonatos estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
Seu preço está estimado em R$ 200.

Revista Isto É, 22 de janeiro de 2003, Edição nº 1738, coluna Século 21.



posted by Eduardo Pereira at 00:35

Quarta-feira, Janeiro 08, 2003

 
Campeões da São Silvestre

Prova Masculina

1925 - Alfredo Gomes
1926 - Jorge Mancebo
1927 - Heitor Blasi
1928 - Salim Maluf
1929 - Heitor Blasi
1930 - Murilo de Araújo
1931 - José Angello
1932 - Nestor Gomes
1933 - Nestor Gomes
1934 - Alfredo Carletti
1935 - Nestor Gomes
1936 - Mário de Oliveira
1937 - Mário de Oliveira
1938 - Armando de Martins
1939 - Luiz del Greco
1940 - Antônio Alves
1941 - José Tibúrcio dos Santos
1942 - Joaquim Gonçalves da Silva
1943 - Joaquim Gonçalves da Silva
1944 - Joaquim Gonçalves da Silva
1945 - Sebastião A. Monteiro (BRA)
1946 - Sebastião A. Monteiro (BRA)

1947 - Oscar Moreira (URU)
1948 - Raul Inostroza (CHI)
1949 - Vijo Heino (FIN)
1950 - Lucien Theys (BEL)
1951 - Erik Krucziky (ALE)
1952 - Franjo Mihalic (IUG)
1953 - Emil Zatopech (TCH)
1954 - Franjo Mihalic (IUG)
1955 - Kenneth Norris (ING)
1956 - Manoel Faria (POR)
1957 - Manoel Faria (POR)
1958 - Osvaldo Suarez (ARG)
1959 - Osvaldo Suarez (ARG)
1960 - Osvaldo Suarez (ARG)
1961 - Martin Human (ING)
1962 - Hamoud Ameur (FRA)
1963 - Henry Clercky (BEL)
1964 - Gaston Roelants (BEL)
1965 - Gaston Roelants (BEL)
1966 - Alvaro Mejia Flores (COL)
1967 - Gaston Roelants (BEL)
1968 - Gaston Roelants (BEL)
1969 - Juan Martinez (MEX)
1970 - Frank Shorter (EUA)
1971 - Rafael Tadeo Palomares (MEX)
1972 - Victor Mora (COL)
1973 - Victor Mora (COL)
1974 - Rafael Angel Perez (COS)
1975 - Victor Mora (COL)
1976 - Edmundo Warnke (ALE)
1977 - Domingo Timbiduiza (COL)
1978 - Radhouane Bouster (FRA)
1979 - Herbert Lindsay (EUA)
1980 - José João da Silva (BRA)
1981 - Victor Mora (COL)
1982 - Carlos Lopes (POR)
1983 - João da Mata (BRA)
1984 - Carlos Lopes (POR)
1985 - José João da Silva (BRA)
1986 - Rolando Vera (EQU)
1987 - Rolando Vera (EQU)
1988 - Rolando Vera (EQU)
1989 - Rolando Vera (EQU)
1990 - Arturo Barrios (MEX)
1991 - Arturo Barrios (MEX)
1992 - Simon Chemwoyo (QUE)
1993 - Simon Chemwoyo (QUE)
1994 - Ronaldo da Costa (BRA)
1995 - Paul Tergat (QUE)
1996 - Paul Tergat (QUE)
1997 - Émerson Iser Bem (BRA)
1998 - Paul Tergat (QUE)
1999 - Paul Tergat (QUE)
2000 - Paul Tergat (QUE)
2001 - Tesfaye Jifar (ETI)
2002 - Robert Cheruiyot (QUE)

Prova Feminina

1975 - Christa Valensieck (ALE)
1976 - Christa Valensieck (ALE)
1977 - Loa Olafsson (DIN)
1978 - Dana Slater (EUA)
1979 - Dana Slater (EUA)
1980 - Heide Huterer (ALE)
1981 - Rosa Mota (POR)
1982 - Rosa Mota (POR)
1983 - Rosa Mota (POR)
1984 - Rosa Mota (POR)
1985 - Rosa Mota (POR)
1986 - Rosa Mota (POR)
1987 - Martha Tenório (EQU)
1988 - Aurora Cunha (POR)
1989 - Maria Del Carmen (MEX)
1990 - Maria Del Carmen (MEX)
1991 - Maria Luiza Servin (MEX)
1992 - Maria Del Carmen (MEX)
1993 - Hellen Kimayio (QUE)
1994 - Derartu Tulu (ETI)
1995 - Carmem de Oliveira (BRA)
1996 - Roseli Machado (BRA)

1997 - Martha Tenório (EQU)
1998 - Olivera Jevtic (IUG)
1999 - Lydia Cheromey (QUE)
2000 - Lydia Cheromey (QUE)
2001 - Maria Zeferina Baldaia (BRA)
2002 - Marizete Rezende (BRA)



posted by Eduardo Pereira at 16:57

 
Ciclistas do Brasil chegam à frente

Renato Roshler e Janildes Fernandes Silva ganharam a III Copa América, disputada ontem, no Autódromo de Interlagos

Os brasileiros Renato Rohsler e Janildes Fernandes Silva foram os vencedores da terceira edição da Copa América de Ciclismo, realizada ontem no Autódromo de Interlagos. Renato deu dez voltas na pista em 1h02min12s00. Chegou à frente do norte-americano Matthew Decanio, com 1h02min13s00 e dez segundos de vantagem sobre o brasileiro André Grizante. Das mulheres, a primeira colocada foi Janildes Fernandes Silva, que fez o percurso em 36min46s14 e foi seguida pela irmã, Clemilda Fernandes Silva, que fez 36min46s61, e por Maria Lucilene da Silva, que completou a prova em 36min49s08.
Renato se mostrou surpreso com a conquista. "Esta foi a primeira competição da temporada e não sabia como iria reagir, embora tenha treinado muito. Faço questão de oferecer a vitória ao técnico Antônio Fernandes, que morreu no mês passado. A nossa equipe, a Caloi, não teve um bom 2002, mas começamos 2003 com o pé direito", comentou o atleta.
Janildes, medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg/99, despediu-se do Brasil: retorna no início de fevereiro à Itália. "Tive muitos convites no fim do ano passado, mas resolvi continuar na Itália. Eu e minha irmã fizemos uma prova excelente. Só não foi perfeita porque nossa prima, a Uênia Fernandes, sofreu uma queda. Mas ela está bem."

Jornal da Tarde, 6/1/2003, caderno Esportes.

posted by Eduardo Pereira at 16:55

 
Drible e finta

O leitor José Saad me pergunta qual a diferença entre finta e drible. ''Peço que me esclareça - acentua ele -, porque o Aurélio e o Houaiss consideram os dois sinônimos.''
Meu bom Saad, você não é o primeiro a levantar a questão. Há dias, um jovem repórter também quis saber por que escrevi sobre os dois artifícios como se não fossem a mesma coisa. De fato, drible e finta são afins, mas cada um tem sua própria natureza. Ambos são manifestações de astúcia. O drible é uma manobra que o jogador executa, usando a bola como elemento ativo da trama. O driblador ultrapassa adversário direto, manejando (devia ser pedejando...) a bola, em contato físico com a dita cuja. Na finta, pelo contrário, o jogador não toca na bola. Quem atua é o corpo. É puro jogo de pernas e/ou de cintura. O jogador mantém a bola a seu alcance, em movimento ou não, mas sem triscar nela. Vamos recordar o solo magistal de Robinho.
Quando Robinho começa a pedalar, em alta velocidade, defesa a dentro, em nenhum momento, ele toca na bola. Por isso, em crônica recente, eu descrevi a ação, imaginando o corpo como sendo o rastro da bola. O corpo, em ação, é uma espécie de caudatário da bola. Segue-a como a sombra que segue a luz. Revendo o lance, no teipe, o leitor observará que só na pedalada final é que o pé de Robinho vai tocar na bola. É aí que se dá o instante do drible. O drible que provoca o pênalti de Rogério. O drible que culmina uma sucessão de assombrosas fintas. Daí, eu ter dito que os dois ardis não se excluem, embora sejam autônomos.
No outro lance diabólico de Robinho, origem do gol de Leo, o garoto inventa um gesto, fulminante, que deixa Kleber e Vampeta literalmente à deriva. A meia volta que Robinho dá é a demonstração mais espetacular do que seja uma finta. Ele só tocaria na bola no lance seguinte, por sinal, um passe com afeto pra jogada de Leo. E já que o leitor Saad fala de dicionários em seu e-mail, quem sabe, as duas rubricas poderiam ser assim definidas: no drible, a bola é objeto direto; na finta, objeto indireto...

Jornal do Brasil, 08 de janeiro de 2003, coluna de Armando Nogueira.


posted by Eduardo Pereira at 14:59

Terça-feira, Janeiro 07, 2003

 
ATLETISMO

Campeão da São Silvestre vence também no Uruguai
O queniano Robert Cheruiyot foi o campeão da 29ª Corrida de San Fernando. Outro queniano, Paul Kirui, ficou em segundo, e o brasileiro Paulo Alves dos Santos foi terceiro. A brasileira Edinalva Laureano da Silva venceu no feminino.



posted by Eduardo Pereira at 01:32

Segunda-feira, Janeiro 06, 2003

 
Campo invadido

O árbitro Alin Sars atuou com um microfone da televisão francesa instalado em seu uniforme durante uma partida da Copa da França, anteontem. Além do som da torcida e da voz dos narradores, o espectador ouvia tudo o que o juiz dizia (e o que era dito a ele), além de saber o momento exato em que soava o apito.
Se pararmos para pensar, uma inovação aparentemente tão singela pode ter importantes desdobramentos. Não custa nada imaginar o que poderá acontecer se a moda pegar.
No aspecto exclusivamente técnico, isto é, da condução do jogo pela arbitragem, os efeitos são óbvios. Ao saber que está sendo ouvido por milhares de pessoas, o árbitro tenderá a moderar sua linguagem e a ser claro, quase didático, na interlocução com os jogadores.
Em vez de gritar "Dá logo a bola que eu já apitei", dirá, por exemplo, "Você cometeu jogo perigoso. Tiro livre indireto".
Os atletas, por sua vez, temerão ofender ou desrespeitar o juiz diante dos ouvidos de todos, temendo punições.
De certo modo, haverá um nivelamento da autoridade dos árbitros. Diminuirá a distância entre o juiz "banana" e o "dono do campo", pois o que hoje se diz no gramado a um árbitro sem autoridade não poderá mais ser dito. Da mesma forma, o mediador autoritário, que xinga e ameaça os jogadores, terá de adotar comportamento mais aceitável.
A tendência, portanto, é a uma maior transparência e ao fortalecimento da instituição da arbitragem, não dos árbitros individualmente.
Mas há outro aspecto, mais sutil, a ser considerado: o da gradativa dissolução das fronteiras entre o lado de dentro e o lado de fora do campo.
A dessacralização do espaço do jogo de futebol é um processo que se iniciou, de certa maneira, com a transmissão das partidas pela televisão, seja ao vivo, seja em videoteipe.
Antes da televisão, o torcedor que ia ao estádio tinha a forte convicção de estar presenciando um evento único e irrepetível, com uma aura de cerimônia mágica ou religiosa.
Sem a aproximação promovida pelas objetivas do cinema ou da TV, o próprio rosto dos atletas era para o torcedor uma imagem difusa, que ele só via de perto nas fotos (muitas delas retocadas) estampadas nas revistas e jornais em impressão de má qualidade.
Havia, simbolicamente, uma distância intransponível entre o campo e a arquibancada. Quando chegava a esta o som de uma bola chocando-se contra a trave ou sendo afastada da área por um zagueiro, o frisson era total.
Só em estádios como a Vila Belmiro ou o Parque São Jorge, o torcedor situado junto ao alambrado podia ouvir, eventualmente, a voz dos ídolos, gritando de dor ou pedindo bola aos companheiros.
Hoje há câmeras e microfones por toda parte: atrás dos gols, nas laterais, nos bancos de reservas. Conhecemos os palavrões favoritos de técnicos e goleiros, vemos em close os ferimentos, as cuspidas e as coçadas dos craques.
Essa ruptura de fronteiras é de mão dupla. Assim como temos acesso às imagens e sons do campo de jogo, jogadores munidos de fones de ouvido já podem ouvir à distância a voz de seu treinador, que por sua vez se comunica eletronicamente com auxiliares postados na arquibancada.
O big brother chegou para ficar.

Notícia boa e má
A eventual contratação de Parreira como coordenador de seleções seria uma notícia ótima para a CBF e péssima para o Corinthians. Com as limitações de seu elenco, o alvinegro perderá força na disputa da Libertadores da América se não puder contar com o treinador que estruturou a equipe e extraiu dela o máximo rendimento possível. Já na CBF, a indicação de Parreira aumenta a possibilidade de escolha de Oswaldo de Oliveira como técnico da seleção principal. Aí quem sairá perdendo é o São Paulo.

Esperança e medo
Hoje é um dia decisivo para o futuro do Palmeiras. Se optarem pela reeleição do presidente, Mustafá Contursi, os conselheiros perderão uma ótima oportunidade de transformar a crise atual no estopim de uma mudança regeneradora. Tudo indica que o medo vencerá a esperança.

E-mail jgcouto@uol.com.br


Folha de São Paulo, segunda-feira, 06 de janeiro de 2003, caderno Esporte, coluna de JOSÉ GERALDO COUTO, COLUNISTA DA FOLHA.

posted by Eduardo Pereira at 23:29

Domingo, Dezembro 22, 2002

 
Coisa nossa

Reunidos pela agência de notícias AP, jornalistas de muitos países elegeram o penta do Brasil na Copa da Ásia como o fato esportivo mais importante do ano. É mais uma homenagem ao futebol brasileiro e, como elas irrompem todos os dias, não vou dizer mais que é o fecho de ouro porque ainda faltam nove dias para terminar o ano. São homenagens mais do que merecidas.

Não é todo dia que uma nação conquista o penta mundial de futebol. Aliás, em mais de um século de História do futebol, foi só um dia, aquele 30 de junho em Yokohama, no Japão.

Um dia e uma seleção só. Exatamente esta seleção brasileira e este futebol brasileiro que vêm ganhando honrarias e sendo homenageados quase diariamente.

A façanha é realmente extraordinária porque, dos outros países tradicionais que disputam o título da Copa do Mundo (estou falando dos que disputam o título, não a Copa simplesmente), apenas dois estão próximos do Brasil ¿ a Alemanha e a Itália, com três títulos cada um.

Eu disse próximos? Nem tanto. Muitos anos se passarão (e talvez até muitas Copas) até que um deles iguale o Brasil ¿ se igualar, porque o Brasil também continua ganhando títulos, não continua?

Além do mais, pelo futebolzinho que ando vendo na Itália e na Alemanha, inclusive ¿ e principalmente ¿ o futebolzinho das suas seleções, está mesmo muito difícil sequer comparar-se ao Brasil.

Vejam só: encerrada a Copa do Mundo, com o resplendor de jogadores como Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo, o futebol brasileiro já assiste ao alvorecer da geração de Diego e Robinho.

Sim, mais até do que o ano da seleção brasileira, este 2002 foi o ano do craque, do craque de futebol.

E craque é coisa nossa.

O Globo, Rio, 22 de Dezembro de 2202, caderno esportes, coluna de Fernando Calazans.

posted by Eduardo Pereira at 03:02

Sexta-feira, Dezembro 20, 2002

 
Estudo diz que pênalti pode levar ao infarto
DA REPORTAGEM LOCAL

Um estudo publicado na última edição do "British Medical Journal" mostrou que o número de ataques cardíacos aumenta em 25% nos dois dias posteriores a uma partida de futebol decidida em cobranças de pênalti.
O levantamento pegou como amostragem o mesmo período dos anos de 1997, 1998 e 1999.
Só que em 1998 aconteceu a Copa do Mundo em que a Inglaterra foi eliminada nas oitavas-de-final pela arquiinimiga Argentina. O jogo terminou empatado e foi decidido em penalidades máximas.
"No dia da partida e nos dois dias seguintes ao jogo contra os argentinos, as internações por infarto no miocárdio cresceram 25%. Nenhum aumento de outras doenças foi detectado no período", afirma a pesquisa médica feita em conjunto pelas universidades de Bristol e Birmingham.
A pesquisa levantou dados nos maiores hospitais do Reino Unido, onde a partida teve a audiência estimada em 24 milhões de pessoas, ou seja, quase a metade da população das ilhas.
"Foi escolhido o jogo contra a Argentina pela rivalidade existente e por ser um mata-mata, circunstâncias em que o expectador experimenta o alto grau de tensão antes e durante a partida", diz o estudo, que sugere a extinção do sistema de desempate que deu o tetracampeonato mundial para o Brasil na Copa de 1994.
"Apesar das regras esportivas, talvez a loteria dos pênaltis devesse ser abandonada para o bem da saúde pública", conclui a tese.

Folha de São Paulo, 20 de dezembro de 2002, caderno Esporte.

posted by Eduardo Pereira at 19:36

 
Telê Santana, símbolo dos amantes do futebol-arte, está encantado. A ponto de elogiar um velho desafeto: o ex-goleiro Leão:

- Que prazer ver o Santos! Leão está de parabéns: deu aos garotos liberdade, com aplicação tática. Robinho e Diego resgataram a arte que não se via na Vila desde de Pelé e Coutinho.

Ele confessa que, graças a Robinho, viu algo inédito em sua longa carreira:

- O lance que originou o pênalti do primeiro gol, eu nunca tinha visto e jamais imaginei ver. Se um jogador comum tentar fazer aquela seqüência de movimentos em velocidade vai tropeçar nas próprias pernas.

Telê assistiu à decisão com um sorriso nos lábios:

- Sempre batalhei pelo futebol-arte e me sinto recompensado. Torço para que o Santos mantenha a garotada e continue mostrando que a arte supera os inúmeros esquemas defensivos que tenho visto com tristeza. Foi uma final emocionante e sem violência.

O Globo, Rio, 20 de Dezembro de 2002, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.

posted by Eduardo Pereira at 01:39

Quinta-feira, Dezembro 19, 2002

 
...PÉSSIMO EXEMPLO...

A brasileira Fabiane dos Santos, de 26 anos, foi banida do esporte por
reincidência em doping no atletismo. A decisão, à qual não cabe recurso, foi
tomada pelo Tribunal de Arbitragem do Esporte, em Lausanne, na Suíça. É o
primeiro caso de eliminação do esporte no Brasil.

Rádio CBN, CBN Primeiras Notícias, 19 de dezembro de 2002, de Reinaldo Gottino.


posted by Eduardo Pereira at 16:52

Terça-feira, Dezembro 17, 2002

 


fonte: Gazeta Esportiva . Net



posted by Eduardo Pereira at 10:46

 


fonte: Gazeta Esportiva . Net

posted by Eduardo Pereira at 10:43

Domingo, Dezembro 15, 2002

 
Sem Diego, Robinho lidera o Santos ao título do Brasileirão

fonte: http://esporte.uol.com.br/

posted by Eduardo Pereira at 19:54

 
Santos marca três, acaba com jejum de 18 anos e conquista o Brasileirão
UOL Esporte

posted by Eduardo Pereira at 19:12

 
LUSA
...os torcedores estão com toda razão, a Lusa começou a cair para segunda divisão quando os cartolas não tiveram competência para trazer Rodrigo Fabri...

Ataque

Um grupo de oposição da Lusa, intitulado "Movimento Moralizador da Zona Leste", tem distribuído um anúncio com as fotos dos diretores do clube e os dizeres: "Parabéns! Estamos na segunda divisão. Mas quem deveria cair eram vocês". No alto do cartaz, uma faixa negra sobre a inscrição "Estamos de luto".

Folha de São Paulo, 15 de dezembro de 2002, caderno Esporte, coluna Painel FC.

Na Lusa, Candinho também se queixa de seus pedidos de reforços não terem sido atendidos. "Não veio ninguém que eu pedi. O time é médio. Ganha, perde, e assim vai continuar."
O maior exemplo do fracasso da diretoria da Lusa em contratar atletas consagrados foi a negociação com o Real Madrid (Espanha) pelo meia Rodrigo Fabri. Após acertar com o clube espanhol, a Lusa desistiu do negócio, alegando que o Real Madrid teria pedido um adiantamento para liberá-lo.
Para Candinho, a ausência de novos reforços pode prejudicar o desempenho da Lusa no torneio. "Temos um plantel pequeno. Isso vai nos fazer falta."

parte matéria da Folha de S. Paulo, 06/10/2001, caderno esporte, de EDUARDO ARRUDA; PAULO GALDIERI

posted by Eduardo Pereira at 09:27

 
...O gol do macaco II...

Ora veja só, o soco no ar, que Pelé imortalizou comemorando os seus gols e estreou como resposta aos gritos de Macaco com que a torcida do Juventus o hostilizava, na rua Javari, em 1959, foi inspirado em um outro gesto de revolta.

Quem garante é o implacável Xicão - ombudsman sempre atento às colunas esportivas:

"Como testemunha ocular da história gostaria de esclarecer que Pelé não inventou o soco no ar. O primeiro que fez este gesto foi Julinho Botelho - no primeiro gol contra a Inglaterra, em amistoso no Maracanã, em 1959. Foi a sua forma de protesto contra as vaias que recebia (os cariocas queriam Garrincha em seu lugar). Pelé estava neste jogo e meses mais tarde incorporou o gesto às suas comemorações."

O Globo, Rio, 15 de Dezembro de 2002, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.

posted by Eduardo Pereira at 08:30

Sexta-feira, Dezembro 13, 2002

 
O gol do macaco

Meu fiel escudeiro, Antônio Roberto Arruda, descobre coisas que até Deus duvida! Quer ver? Você sabia que o famoso soco no ar com que Pelé comemorava os seus gols foi inventado como resposta a uma ofensa que sofreu em campo? E faz idéia do que o Pelé foi chamado? Macaco! Que se acautele, pois o Santos. Se o Corinthians resolve pagar a ofensa de Diego na mesma moeda...

A história de Pelé aconteceu num jogo contra o Juventus, na rua Javari, pelo Campeonato Paulista de 1959. Mesmo campeão do mundo, o Rei estava sendo xingado o tempo todo pela torcida rival.

¿ Macaco, volta pra selva que lá é o seu lugar!

Pelé já tinha marcado dois gols na vitória parcial por 3 a 0 e não agüentava mais o coro. Foi quando aconteceu o lance que ele considera o mais bonito de sua carreira ¿ superando até o do gol de placa que faria contra o Flu, no Maracanã, dois anos depois.

Veio um cruzamento alto da ponta direita e na disputa de bola com um zagueiro, o negão deu-lhe um lençol de cabeça. Surgiu o segundo adversário e mais um lençol de cabeça, sem que a bola tocasse o chão. Na saída desesperada do goleiro Mão-de-Onça, ainda de cabeça, Pelé aplicou um terceiro lençol! Depois de cobrir o goal-keeper (cáspite!), a redonda (êpa!) tocou no chão, subiu e ele completou, novamente de cabeça.

Enlouquecido, Pelé correu, então, para o alambrado, saltando e socando o ar, numa resposta às ofensas. Estava criado o gesto imortal e escrita uma das mais belas páginas da história do futebol.

O Globo, Rio, 13 de Dezembro de 2002, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.

posted by Eduardo Pereira at 15:06

Quinta-feira, Dezembro 12, 2002

 
A Federação Brasileira de Vela e Motor e o Clube Naval festejarão logo mais o centenário de nascimento de José Cândido Pimentel Duarte, pioneiro do iatismo nacional.

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12/12/2002, caderno Rio, coluna de Ricardo Boechat.


posted by Eduardo Pereira at 16:01

Domingo, Dezembro 08, 2002

 
Jogada de marketing pra valer fazem os clubes ingleses. Segundo o meu amigo Fernando Duarte, a moda agora é investir em jogadores chineses! Explica-se: um jogo entre o Everton e o Manchester City, nos quais jogam, respectivamente, o meia Li Tie e o zagueiro Sun Zhi Jai, teve audiência de 100 MILHÕES de telespectadores na China. Isso sem falar na quantidade de camisas que os clubes têm vendido por lá..

O Globo, Rio, 08 de Dezembro de 2002, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.


posted by Eduardo Pereira at 01:51

 
De lavar a alma
O Santos lava a alma do bom futebol, com o fulgor de seus guris. Diego e Robinho já conhecem o direito e o avesso de uma bola. Jogam com engenho e arte. Um atormenta defesas inteiras, com dribles e fintas irresistíveis; o outro é um fogoso organizador de jogadas. Ninguém pense, porém, que o time santista são apenas os floreios de Robinho e as cintilações de Diego. Quando ataca, o time do Santos vai fundo com uma brigada do maior respeito, seja pelos flancos (o lateral Leo é um ponta veloz e preciso), seja pela faixa central, usando muito bem seus volantes e seus meias de ligação. A turma é da melhor estirpe: é Renato, é Paulo Almeida, é Maurinho, é Elano, é o pivô Alberto, é o próprio Diego, cada qual mais onipresente que o outro. Daí, a consistência da equipe, reforçada, atrás, por uma dupla de zagueiros, Alex e André Luis, que além de não dar trégua aos rivais, sabe sair tocando a bola; Alex, principalmente, a quem considero o mais eficiente da temporada.

Em suma, o time do Santos tem sabido dosar suor e fantasia, a ponto de chegar à decisão do título como a maior atração do futebol brasileiro, neste final de ano; pela constância com que joga; pela harmonia do conjunto, avançando em ritmo vivíssimo, coleante: coreografia de serpentes.

Encantador de serpentes
O Corinthians, por sua vez, lembra aquele gênero de pugilista que se leva um cruzado na ponta do queixo, em vez de se esborrachar na lona, esboça um leve sorriso - o sorriso que desconcerta o rival. Primor de dissimulação.

Assim foi que o vi ao sofrer o primeiro gol do Fluminense, quarta-feira. No close da tevê, o semblante de Vampeta não acusava a mais leve preocupação. Aliás, os times de Parreira demonstram frieza, o tempo todo. A torcida, lá em cima, consumida de medos e apreensões, enquanto, lá em baixo, Kleber chega à linha de fundo, sereníssimo qual um monge budista. No lance do segundo gol do Corinthians foi exatamente assim: o lateral recebe a bola, curtinha, sob medida, passada por Gil. Um sôfrego teria centrado ou, quem sabe, teria chutado, mesmo sem ângulo. Ele, não. Quase caminhando, tocou a bola, sem pressa, e, com um meio-passe, meio-centro, deu a Guilherme o gol mais feito da noite.

O time do Corinthians não se perturba, jamais. É quase glacial. Parreira deve ter metido na cabeça dos jogadores que a grande inimiga da perfeição é, mesmo, a sofreguidão... A cadência do time é, sempre, ralentada, com a nítida intenção de conservar a bola em seu poder. Como se estivesse limando as arestas da bola. Se tiver que trocar vinte passes, vinte passes trocará, contanto que não a entregue, de graça, ao adversário. Daí, a idéia de cantochão que despertam as equipes de Parreira. Monocórdias e traiçoeiras como um batuque negreiro.

Bolinha pra cá, bolinha pra lá, será que fica nisso, o tempo todo? Negativo! De repente, alguém faz um lançamento agudo, profundo, explorando a velocidade de Gil, de Deivid e o faro de gol de Guilherme. A equação é infalível. Assim, precisamente assim, é o time de Parreira: insidioso, solerte. Encantador de serpentes.

Jornal do Brasil, 08/12/2002, coluna de Armando Nogueira.

posted by Eduardo Pereira at 00:59

 
Que planeta é esse, mesmo?

Que boa parte dos jogadores brasileiros de futebol não tem o hábito de se informar não é novidade. Que também não tem o costume de ler, menos ainda. Que o diga quando eles se mudam para países estrangeiros.
Sem entender o idioma local, muitos parecem ter vindo de outro planeta. Para o atacante Marcelinho Paraíba, isso, de fato, aconteceu. O ex-ídolo do Grêmio deixou o país para jogar no futebol alemão em 2001.
Teve dificuldade para aprender a língua alemã. Não entendia nada do que escutava ou via na televisão. Convocado para a seleção para o jogo contra a Venezuela, pelas eliminatórias, em novembro de 2001, mostrou que estava no mundo da lua.
Num vôo de volta da delegação para o Brasil, ao ouvir uma conversa entre um repórter e o comandante do avião sobre os atentados de 11 de setembro nos EUA, que provocaram a morte de quase 3.000 pessoas, perguntou ao zagueiro Cris:
- Naquele acidente morreu alguém?
- Claro, Marcelo, morreram milhares de pessoas.

Folha de São Paulo, 06 de dezembro de 2002, caderno Esporte, coluna Painel FC, CONTRA-ATAQUE.


posted by Eduardo Pereira at 00:20

Sexta-feira, Dezembro 06, 2002

 
A polêmica envolvendo o goleiro Danrlei e Robinho fez a leitora Paula Ariza recordar deliciosa charge do saudosíssimo Henfil.

"No Brasil x Paraguai, das eliminatórias de 85, Henfil criou uma charge onde um brutamontes paraguaio, caído após desconcertante drible de um brasileiro, esbravejava, enfurecido: "Cobarde largue esta bola e jogue como hombre!"

Muito bem lembrado!

O Globo, Rio, 06 de Dezembro de 2002, caderno esportes, coluna de Renato Mauricio Prado.

posted by Eduardo Pereira at 01:53

Quarta-feira, Dezembro 04, 2002

 
Gravatinha

No jogo com o Corinthians, domingo, houve dois lances típicos da proverbial cabala tricolor: a bola que bateu na trave, no começo da partida, como nos tempos do leiteiro Castilho; depois, o pênalti extraviado por Guilherme, no finzinho do jogo. Guilherme anda dizendo que escorregou no momento do chute. Pois sim. Mal sabe ele que, no instante do chute foi sutil e cinicamente desequilibrado por um tranco do Gravatinha, maliciosa assombração que Nelson inventou pra consumar as grandes cavilações do Fluminense.

Jornal do Brasil, 04/12/2002, coluna de Armando Nogueira.


posted by Eduardo Pereira at 14:06

Quarta-feira, Novembro 20, 2002

 
Sem relegar absolutamente a moralização do esporte em geral e do futebol em particular ¿ cujos princípios ficarão a cargo de um grande especialista, o jornalista Juca Kfouri ¿ o programa de esportes do presidente eleito Lula dará prioridade à questão social, ao acesso de crianças e jovens à prática esportiva.

Outro jornalista do primeiro time, José Trajano, vai apresentar ao presidente, até o fim do ano, um programa neste sentido. Trajano vai fazer, primeiro, uma espécie de censo nacional de esportistas que já são responsáveis por programas sociais e que, depois, deverão apresentar um trabalho em conjunto. Entre eles, Ana Mozer, Paula (basquete), Afonsinho, Gérson Canhotinha de Ouro, Ricardo Tatuí (surfe), Jacqueline e Ênio Figueiredo (vôlei), Nílton Santos. Foi o que ficou resolvido no encontro de Lula com o pessoal do esporte, segunda-feira, em São Paulo.

O Globo, Rio de Janeiro, 20/11/2002, caderno esportes, coluna de Fernando Calazans.



posted by Eduardo Pereira at 17:05

Terça-feira, Novembro 19, 2002

 
Depois de reunião com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva ontem à
noite em São Paulo, personalidades ligadas ao esporte programaram criar
grupo de estudo que formulará políticas para o setor no próximo governo.
Lula pediu que as sugestões sejam encaminhadas até janeiro. Um dos
participantes, o jornalista Juca Kfouri, antecipou que o Ministério do
Esporte e Turismo pode ser desmembrado. Entre os participantes estavam o
secretário-executivo do Ministério do Esporte e Turismo, José Luiz Portella,
o técnico do São Paulo, Oswaldo de Oliveira, a ex-jogadora de basquete
Paula, os irmãos Sócrates e Raí e o presidente eleito do Botafogo, Bebeto de
Freitas, que não quer usar o "tapetão" para evitar o rebaixamento do clube.

CBN PRIMEIRAS NOTÍCIAS, 19/11/02, de Reinaldo Gottino

posted by Eduardo Pereira at 22:59

Segunda-feira, Novembro 18, 2002

 

¿O boato da hora: a Portuguesa já teria sido ¿escolhida¿ para, se preciso, cair no lugar do Palmeiras ¿ olho na arbitragem destes times paulistas na última rodada!

O Globo, Rio de Janeiro, 17/11/2002, caderno esportes, Renato Maurício Prado.¿


posted by Eduardo Pereira at 16:35

 
Triatlo
Sandra Soldan foi a latino-americana mais bem colocada no Mundial de Triatlo, em Cancún, com um 9 lugar entre as mulheres.

Poderia ter sido melhor.

Na prova de natação, uma australiana deu um caldo em Sandra, que por segundos perdeu os sentidos ¿ e também algumas posições na briga.


O Globo, Rio de Janeiro, 17/11/2002, caderno esportes, Renato Maurício Prado.


posted by Eduardo Pereira at 16:35

Quinta-feira, Novembro 14, 2002

 
A indústria dos danos morais

O futebol é uma autocracia. Cartola faz e acontece, impunemente. É assim pelo mundo afora. Aqui no Brasil, a barra é ainda mais lastimável. Claro que há exceções. A maioria, porém, é de uma desfaçatez sem limites. Nas federações e na CBF, então, a coisa chega a ser afrontosa. Os caras se aboletam no poder e de lá não saem, a não ser por instâncias da morte.
O grande lance da democracia é justamente a rotatividade no poder. Quem, hoje, está no pico, amanhã, com certeza, estará na planície. Acontece que, no futebol brasileiro, a regra é outra: quem está lá em cima, lá de cima não sai, lá de cima não cai. Ninguém de lá o tira. Até porque no futebol não existe oposição. Existe opinião pública, sim, mas são vozes de tal maneira fragmentadas, que acabam sem poder de fogo. Cada clube tem a sua opinião pública, mas elas não se somam. São arquibancadas que só têm voz pra defender suas cores. Não batalham por um interesse comum, que seria o futebol como fenômeno social, como manifestação de cidadania. Estou falando de torcida. O torcedor vive do e para o amor incondicional que dedica a seu clube.
A oposição no futebol é exercida pelos jornalistas. Por natureza, estamos desempenhando um papel parecido com o do promotor. A imprensa esportiva seria uma espécie de ministério público informal. Como não temos diploma, nem toga, nem prerrogativas, os jornalistas acabam pagando caro. Quem alerta, quem denuncia uma irregularidade acaba processado na justiça. Somos alvos da indústria dos danos morais. Os maus cartolas nos processam e, de preferência, nas varas cíveis, pra tomar o nosso mirrado dinheirinho. Fazem-no, também, pra intimidar.
No momento, sou réu de dois processos. Por sinal que um dos meus desafetos, descontente com o que escrevo da cartolagem, sempre que pode me hostiliza, debochando publicamente da minha idade. Me chama de ''velha senhora''. Mal sabe ele que apontar deslizes de cartolas e subcartolas é um jeito que encontrei de envelhecer com dignidade.
Jornal do Brasil, 13/11/2002, coluna de Armando Nogueira, Colaborou Andréa Escobar.



posted by Eduardo Pereira at 12:12

Segunda-feira, Novembro 11, 2002

 
Santo de fora

Como não tinha mais nada em que apostar, quando todos os recursos do clube já estavam esgotados, quando já tinha acumulado erro atrás de erro, a diretoria do Botafogo pediu socorro a um santo de fora ¿ Carlos Alberto Torres. Deu sorte, muita sorte. Tomou uma medida tresloucada, trocando o técnico a três rodadas do fim do campeonato e, no primeiro dos três jogos, deu certo.

Agora faltam dois.

A medida deu certo e o time deu sorte, porque Carlos Alberto Torres tem estrela, como pouca gente tem ou teve no futebol brasileiro. Enquanto escrevo, sem querer ele está concordando comigo, no microfone da Rádio Globo, porque está dizendo que não fez nada, não teve tempo para fazer nada, apenas conversou com os jogadores. Mas uma conversa de Carlos Alberto pode valer muito.

Com uma personalidade que outros técnicos não têm, está dizendo também que o mérito da vitória é dos jogadores. Técnico à moda antiga (o que é um elogio), não tem a vaidade nem a prepotência de se julgar mais importante do que aqueles que entram em campo para jogar.

O Globo, Rio de Janeiro, 11/11/2002, caderno esportes, coluna de Fernando Calazans.


posted by Eduardo Pereira at 23:41

 
Na terceirona...
Pergunta-me Carlos Alberto Torres, o capita de 70, como é que me sinto, vendo o Botafogo despencar no abismo do rebaixamento. Respondo, singelamente, que, no chamado campo das desilusões alvinegras, eu já me sinto, há muito tempo, não na Segunda e sim na Terceira Divisão...
Na verdade, o time que for rebaixado cairá, mesmo, é pra Terceira. Na hierarquia do futebol, o Campeonato Brasileiro acaba sendo a própria Segundona. A Primeira Divisão, no duro, no duro, está, toda ela, pelas Europas. O que tem o futebol brasileiro de mais valioso, há muito tempo, joga em clubes italianos, espanhóis, franceses, alemães. É só repassar, de memória, o elenco brasileiro na Copa do Mundo. Onde é que estão jogando os dois Ronaldinhos, o Rivaldo, o Roberto Carlos, o Gilberto Silva e tantos outros menos votados, mas nem por isso menos cotados, como Amoroso, Serginho, os dois Juninhos, o França? Esses, sim, são a Primeira Divisão. Assim, sendo, o buraco botafoguense é mais embaixo...

· Vocês não acham que o Felipão tem se mostrado um autêntico língua-solta? Depois de outras tantas declarações, no mínimo estapafúrdias, mais uma, dizendo que os clubes à beira do rebaixamento são vítimas de jogadores que não têm amor pela camisa. Ora, todo mundo sabe que os cartolas, de modo geral, são incompetentes. Não administram, não lideram, não pagam em dia. Eles são os verdadeiros culpados pelo fracasso de seus times. O resto é retórica esfarrapada.

Jornal do Brasil, 10/11/2002, coluna de Armando Nogueira.

posted by Eduardo Pereira at 00:39

 
Código do torcedor
A rejeição pelo Congresso da Medida Provisória de moralização do futebol foi ótima, porque evitou que a bancada da bola aprovasse o desfigurado texto do relator, deputado Ronaldo Cezar Coelho. Nesta nova versão, a CBF e federações não teriam a mesma responsabilidade dos clubes, o que é incompreensível. O governo atual vai propor um novo projeto, que será votado no próximo ano.
No lugar da Medida Provisória, o novo governo vai editar o Estatuto do Desporto. Em vez do futebol, a ênfase será na política esportiva social e na educação das crianças, o que é correto. Porém, o projeto não pode deixar de lado as medidas moralizadoras do futebol, contidas na Medida Provisória. Além desses projetos que vão mudar o esporte, será votado brevemente o Código de Defesa do Torcedor. Se aprovado e cumprido, será um grande avanço.
Mas não somente os torcedores de campo merecem ser bem tratados. Há também os de pijama, que, por preguiça, opção racional (é hoje um grande risco ir aos estádios) e/ou falta de dinheiro, preferem o conforto e a intimidade de sua casa. Eles necessitam também de um código para defender os seus direitos. Algumas sugestões:
1.Todo torcedor de pijama tem direito de escolher a televisão (fechada ou aberta) para assistir aos jogos da Seleção Brasileira. O fim do monopólio televisivo não consta na Medida Provisória.
2. Todo torcedor de pijama que comprou o pay-per-view tem o direito de assistir a todas as partidas, conforme prometido na venda do pacote. Nas últimas semanas, não foram transmitidos para Belo Horizonte os jogos entre Atlético-PR e Paysandu e entre Figueirense e São Caetano.
3. Todo torcedor de pijama que não comprou o pay-per-view tem o direito de assistir também aos jogos de outras equipes que não sejam as grandes do Rio e São Paulo. As televisões são essenciais e ajudam a promover e financiar o futebol, mas deveriam ser chamadas para participar depois que os regulamentos, calendários e tabelas estiverem prontos.
4. Todo torcedor de pijama e os da arquibancada têm o direito de assistir aos jogos noturnos às 20h30. Assim, eles vão dormir melhor, trabalhar com mais alegria e produzir mais. Estou até parecendo comentarista de economia.
5. Todo torcedor de pijama tem o direito de questionar os narradores e comentaristas e formar a sua opinião. Para isso, deveriam procurar entender melhor o futebol e não apenas torcer.
6. Todo torcedor de pijama tem o direito de ser bem informado e de escutar comentários independentes, imparciais e sem conotação comercial. O esporte, além de ser um entretenimento e um negócio, é um acontecimento jornalístico.
7. Todo torcedor de pijama tem direito de ter uma renda mínima reservada para pipoca, refrigerante e a cerveja no domingo, com moderação.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10/11/2002, caderno , coluna de Tostão.


posted by Eduardo Pereira at 00:37

 
Botafogo

Técnicos absolvidos

O técnico Ivo Wortmann disse que às vezes, em meio ao jogo, dava uma olhada panorâmica para o campo, pensava, pensava bem e ficava com a impressão de que o Botafogo simplesmente não tinha treinador, de tão desarrumado que estava o time. Bem, o time está em último lugar no campeonato. Mas apresso-me a dizer que não foi por causa dele, Ivo. Não sei se Ivo é bom treinador.

Acho que ninguém sabe. É um treinador pouco conhecido. Sei, isso sim, que não é por responsabilidade dele que o Botafogo ¿ lembram-se do glorioso Botafogo? ¿ é o último colocado, o lanterninha do Campeonato Brasileiro.

Ivo Wortmann foi o terceiro técnico do clube na competição. Antes dele, foram sacrificados o Artur Bernardes e o Abel Braga. Se culpa houve, foi dos três, não do último exclusivamente. Mas, para mim, não foi de nenhum deles.

Para reforçar minha tese, vou perder cinco linhas escalando o time do Botafogo que perdeu para o Paraná. Ela já saiu nos jornais, mas eu peço a vocês, peço particularmente aos torcedores do Botafogo, que a leiam e meditem sobre o assunto. Aqui vai ela: Carlos Germano, Cléberson, Gilmar e Allan; Bruno, Márcio Gomes, Carlos Alberto, Galeano e Léo Inácio; Ademílson e Rodrigão.

Separando o Carlos Germano, logo o primeiro nome, que impressiona de saída, pode algum treinador ser responsabilizado pela campanha de um time desses? O que dizer de um ataque de um grande clube como o Botafogo ¿ que já foi o maior fornecedor da seleção brasileira ¿ o que dizer, repito, de um ataque, formado por Ademílson e Rodrigão?

Esse ataque, esse time, essa escalação absolvem não apenas o Ivo Wortmann, mas os três treinadores de uma vez.

Responsáveis? Responsáveis são as sucessivas diretorias que conduziram o Botafogo ¿ que só se tornou célebre pelos extraordinários craques que possuiu, e por nada mais ¿ ao destino em que ele se encontra agora: último colocado, com um time de segunda ou, mais propriamente, de terceira divisão.

O Globo, Rio de Janeiro, 10/11/2002, caderno esportes, coluna de Fernando Calazans.


posted by Eduardo Pereira at 00:14

Domingo, Novembro 10, 2002

 
TRIATLO

Brasil disputa Mundial com seis triatletas
A equipe brasileira é formada, no feminino, por Sandra Soldan, Carla Moreno, Gisele Bertucci e, no masculino, por Leandro Macedo, Juraci Moreira Jr. e Paulo Miyashiro.
O Mundial acontece hoje em Cancún (MEX) e é disputado na distância olímpica (1.500 m de natação, 40 km de ciclismo e 10 km de corrida).
Na semana passada, Sandra Soldan venceu o Mundial de aquatlo (prova composta por corrida e natação) no mesmo local da disputa de hoje.
O Mundial de Cancún distribui mil pontos para o ranking da União Internacional de Triatlo, que define os participantes dos Jogos de Atenas-2004. (DA REPORTAGEM LOCAL)

Folha de S.Paulo, 10/11/2002, caderno esporte, PANORÂMICA .

posted by Eduardo Pereira at 11:04

Quarta-feira, Novembro 06, 2002

 
Peixe grande

A escolha de Nova Iorque para competir como sede dos Jogos Olímpicos de 2012 mostrou que os americanos não estão economizando para vencer o trauma do terrorismo. Há um projeto para a construção de um estádio de US$ 1,5 bilhão em West Manhattan e uma extensão da linha do metrô no mesmo valor. Os gastos devem chegar a US$ 5 bi, com novos parques, complexos esportivos e alojamentos. É o que o Brasil vai ter de enfrentar para trazer os Jogos para nossa terrinha.

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 06/11/2002, caderno ¿Caderno B¿, coluna de Márcia Peltier.




posted by Eduardo Pereira at 01:09

Segunda-feira, Novembro 04, 2002

 
ATLETISMO

Maratona de NY é dominada por quenianos

Os corredores quenianos ocuparam as três primeiras posições no pódio da prova masculina da Maratona de Nova York, nos EUA, na tarde de ontem: o vencedor foi Rodgers Rop. O segundo colocado foi Christopher Cheboiboch, e Laban Kipkemboi acabou em terceiro. Foi a primeira vez na história que o Quênia domina totalmente o pódio da prova.
Rop venceu a maratona com o tempo de 2h08min07.
A vencedora da prova feminina também foi uma atleta do Quênia, Joyce Chepchumba. Seu tempo foi de 2h25min56.
O vencedor da última edição da corrida internacional de São Silvestre e dono do atual recorde da maratona de Nova York, o etíope Tesfaye Jifar, enfrentou problemas estomacais durante a corrida e teve de abandonar a prova.
Outra atleta que competiu na última São Silvestre, a queniana Margaret Okayo -foi a segunda colocada no Brasil-, terminou em sexto lugar ontem.

Folha de S. Paulo, 3/11/2002, caderno esporte.


posted by Eduardo Pereira at 12:41

 
ATLETISMO

Desde 83 nenhum cidadão dos EUA vence prova

Em sua 33ª edição, Maratona de Nova York busca herói americano

A organização da 33ª edição da Maratona de Nova York, que acontece na manhã de hoje, procura desesperadamente um herói norte-americano, um corredor ou uma corredora, que consiga chegar em primeiro lugar na difícil prova de 42,195 km.
"Um vencedor norte-americano conseguiria mais espaço para o evento nos jornais, mais atenção da TV e certamente ajudaria a popularizar o esporte no resto do país", afirmou Allan Steinfeld, diretor da maratona. "Além disso, mais pessoas se envolveriam e ganharíamos mais patrocínio."
O problema: desde 1983, quando o neozelandês Rod Dixon cruzou a linha de chegada, nenhum cidadão dos EUA vence a prova. Pior: desde que Arturo Barrios chegou em terceiro, em 1994, nenhum norte-americano consegue ficar nem sequer entre os 12 primeiros.
"Há muitas pontes e muitas subidas, que acabam com você", disse Sonia O'Sullivan, medalha olímpica dos 5.000 m (prata), que corre hoje. Com ela concorda a queniana Margaret Okayo, vencedora de 2001. "Nova York é muito difícil", diz.
Este ano marca a volta da maratona à quase normalidade, depois de a edição de 2001 ter sido realizada sob alerta máximo, já que ocorria menos de dois meses após 11 de setembro. Mesmo assim, a segurança de hoje foi reforçada.
Em 2001, dois recordes da prova foram quebrados: o etíope Tesfaye Jifar completou os 42,195 km em 2h07min43s, o melhor tempo da história, e Margaret Okayo superou em 19 segundos o recorde anterior, de 1992.

Folha de S. Paulo, 3/11/2002, caderno esporte, SÉRGIO DÁVILA, DE NOVA YORK .

posted by Eduardo Pereira at 12:40

Quarta-feira, Outubro 30, 2002

 

Violência dentro de campo por sinal atiça a violência fora dele. E vice-versa.

No momento em que se discute também ¿ e esperamos que se transforme em lei ¿ o Código de Defesa do Torcedor, a violência recrudesceu no campo e nas arquibancadas. Depois do jogo entre Paysandu e Santos, tivemos este agora entre Ponte Preta e Guarani, com torcedores e policiais levando e dando bordoada, cenas de vandalismo dos dois lados.

É hora de perguntar aos nossos legisladores por que, afinal, é tão penosa e demorada a aprovação de leis importantes como a da Defesa do Torcedor e a Lei da Responsabilidade no Esporte.

Em breve, o torcedor mesmo ¿ aquele que ama o futebol e ama seu clube ¿ não pode ir mais ao estádio. Aliás, já não está podendo.


O Globo, Rio de Janeiro, 30/10/2002, caderno esportes, coluna de Fernando Calazans.

posted by Eduardo Pereira at 18:27

 
O futebol no poder

Lula na Presidência da República quer dizer, entre tantas novidades, que, finalmente, o futebol chega ao poder. Desde que me entendo por gente, jamais tive notícia de um presidente brasileiro ligado, afetiva e ostensivamente, a qualquer clube. Lula é o primeiro. Ele torce pelo Corinthians. Dizem que, mocinho, torcia de brandir a bandeira do Corinthians nas arquibancadas do Pacaembu.
Houve outro presidente-torcedor: general Médici, que era gremista assumido, mas que, positivamente, não tinha o cheiro de povo que tem Lula. O reino dos militares era tão hostil à chamada plebe ignara que não cativava ninguém. A galera desconfiava até que aquele radinho de pilha no ouvido do general era pura encenação popularesca. O general Figueiredo, outro presidente pelo avesso, se dizia Fluminense, mas gostava, mesmo, era de cavalo.

Venho do governo democrático de Getúlio Vargas, anos 50, e nunca ouvi ou li uma única palavra dele sobre futebol. Aquele só pensava em política, dia e noite. Antes, tivemos o general Eurico Gaspar Dutra, que nunca deu a menor bola pra futebol. Diziam que Juscelino era América-MG, mas, pelo menos quando presidente, nunca se abriu, publicamente. Jânio e Jango jamais foram apresentados a uma bola. Entre Getúlio e JK, houve o presidente Café Filho, pra variar, também desligado de futebol. Aliás, desse, eu posso falar, de cadeira.

No meu tempo de repórter, dividido entre a cobertura esportiva e a cobertura política, acabei conhecendo-o de perto. Um dia, Café Filho me contou que, num banquete em sua homenagem, em Bogotá, a primeira dama da Colômbia, sua vizinha de cadeira, começou a falar de Heleno de Freitas, que, então, fazia grande sucesso num time de Barranquilla. Madame não parava de elogiar: Heleno é um jogador fabuloso; Heleno é um galã de cinema; Heleno é lindo, usa cabelos glostorados à la Carlos Gardel; Heleno endoida o mulherio da Colômbia.

Madame falando e o presidente Café Filho, em silêncio, boiando. Não dizia xongas. Simplesmente, jamais ouvira falar aquele nome, embora Heleno já fosse ídolo nacional, desde os anos 40, quando, centroavante, formava, com Tesourinha, Zizinho, Jair e Ademir, a mais famosa linha atacante do futebol sul-americano.

O presidente Café Filho me confessaria que, naquele jantar, tinha passado o maior vexame de toda a sua vida pública. De volta ao Brasil, passou a ler, ainda que por alto, notícias de futebol.

Não deixa de ser grato ao futebol que tenha chegado à Presidência um autêntico torcedor. Ninguém vai pretender que Lula deixe de torcer pelo Corinthians. Seria querer o impossível. A paixão clubística pode até ser abrandada, extinta, nunca. O coração de Lula tem todo direito de continuar pulsando pelo Timão. Nem por isso, porém, ele poderá deixar de incluir o esporte entre as prioridades do novo contrato social do Brasil.

É o que espera dele, ansioso, o futebol brasileiro, que há tempo vem clamando por uma vassourada moralizadora.

Jornal

posted by Eduardo Pereira at 18:27

Terça-feira, Outubro 29, 2002

 
A Fifa está determinando que árbitros de Copa do Mundo sejam escolhidos e escalados por sua comprovada competência - e não para agradar a este ou aquele país filiado.

Copa do Mundo é uma competição da elite internacional do futebol, mas não pode servir para que se façam relações externas. Se os técnicos e os jogadores são escolhidos entre os melhores, os árbitros também devem ser. Competência é o único quesito admissível.

É estranho que, para chegar a esta conclusão, a Fifa tivesse que assistir à outra tragédia, que foi a arbitragem na última Copa.

O Globo, 29/10/2002, Fernando Calazans.

posted by Eduardo Pereira at 15:17

Segunda-feira, Outubro 21, 2002

 
TRIATLO
Fernanda Keller fica em 5º no Ironman do Havaí

A brasileira, em sua 16ª participação consecutiva na mais tradicional competição da modalidade, terminou a prova em 9h31min38s. A vencedora foi a suíça Natascha Badmann, com o tempo de 9h07min54s. No masculino, venceu Timothy Deboom, em 8h29min56.


Folha de São Paulo, 21/10/2002, caderno Esporte, coluna Panorâmica, pág.D5.


posted by Eduardo Pereira at 17:13

Domingo, Outubro 13, 2002

 
Quem vem

A estréia de Zico como treinador da Seleção do Japão será quarta-feira, quando seu time enfrentará o da Jamaica.

Após a partida, ele viaja para o Rio, para festejar os aniversários dos filhos Bruno e Júnior.

Na volta ao Japão, o Galinho vai morar em Tóquio, deixando Kashima, onde fez história defendendo o time da cidade.

Jornal do Brasil, 13/10/2002, coluna de Ricardo Boechat.


posted by Eduardo Pereira at 23:38

 
Kaká, o novo Tostão

Tostão escreveu, quarta-feira, que considera Kaká o maior jogador em ação no Brasil. Concordo piamente e digo mais: tenho a impressão de que é daí pra melhor. Kaká está ganhando massa física, a olhos vistos. Massa corporal é, cada vez mais, elemento essencial em qualquer esporte de choque. O futebol é um jogo de corpo a corpo, um esporte de choque físico. Na hora de um tranco, faz notável diferença.
Kaká pertence à mesma estirpe de Tostão, de quem eu dizia, noutros tempos, o que Tostão diz, agora, de Kaká. A bola de um é a cara da bola do outro. Pertencem ambos à singularíssima dinastia dos atacantes que preferem o passe ao drible. São dois fundamentos fascinantes do futebol. Ambos visam a um mesmo fim: a desestabilização do adversário. Com uma diferença: o drible consegue desequilibrar um defensor de cada vez, o passe vai além: pode desmontar uma defesa inteira, de uma vez só. Por isso, direi que o futebol de Kaká, como era o de Tostão, está mais pra cerebral que pra intuitivo.

Curioso é que os dois são brasileiros natos, mas o estilo de ambos nada tem da ginga, da picardia, do jogo de cintura que caracteriza o nosso sempre louvado peladeiro. Mais que brasileiro, o futebol que Tostão jogou e o de Kaká têm dimensão universal.

Vendo jogar Kaká, me lembro de Tostão, com o assombroso dom de antever que ele tinha. Via tudo, antes de todos. Pois Kaká está desenvolvendo, jogo a jogo, o que chamo de olhar absoluto. A maioria vê o beco, ele vê a linha do horizonte.

É com alegria que vejo Tostão tirar o chapéu pro Kaká. Mais feliz que Tostão sou eu que posso tirar o chapéu pros dois.

Jornal do Brasil, 13/10/2002, coluna de Armando Nogueira.


posted by Eduardo Pereira at 23:36

 
Anos de ouro

O jornalista Araújo Netto e o craque Johan Cruyff têm algo importante em comum: ambos viveram - Araújo mais até do que Cruyff, por ter mais idade - anos de ouro do futebol mundial. Na edição de ontem, Araújo Netto nos brindou com uma reportagem sobre o livro de Cruyff que está saindo agora na Europa, com um título dos mais sugestivos: "Gosto de futebol (mas não o de hoje)".

Bem, para quem me lê, é quase uma redundância dizer que, só pelo título, eu também assinaria o livro, se tivesse capacidade para isso, naturalmente.

Ao subscrever a opinião de Cruyff contida no título, poderão dizer de mim que sou um saudosista, um romântico ou, quem sabe, no novo sentido atribuído a esses adjetivos, um idiota.

De Cruyff, porém, não poderiam dizer o mesmo, porque Cruyff foi precisamente, reconhecidamente, inequivocamente, o precursor do futebol chamado de moderno, a encarnação do ideal de futebol que vigora até hoje. Por quê? Ora por quê. Porque defendia, atacava, marcava, armava, finalizava e fazia gol. Precisa mais para ser moderno?

Cruyff fazia tudo isso - e fazia bem. Hoje, há gente que também dá a impressão de fazer tudo isso, mas é só impressão, porque faz tudo isso mal, em geral muito mal.

Eis por que Cruyff gosta do futebol, mas não o de hoje, e eu também.

Algumas das críticas mais incisivas do livro são dirigidas à mania americana de rechear de estatísticas as diversas modalidades esportivas. Como todas as manias americanas, vira mania em quase todo o mundo, incluindo naturalmente o Brasil.

Contraímos aqui, até no futebol, a mania dos scouts , das estatísticas, dos números que deliciam gente de raciocínio superficial, entre técnicos, jogadores e comentaristas. Um raciocínio que se baseia na quantidade, não na qualidade.

Cruyff toma o exemplo de Romário, por sinal um de seus ídolos, que ele próprio já chamou de "gênio da área". No basquete, um jogador que recebe dez passes e põe uma só bola na cesta, é um fracasso. Romário pode tocar dez vezes apenas na bola, num jogo inteiro, mas fazia um ou dois gols. Era - ou é - um sucesso.

E por aí vai o Cruyff, escarnecendo dos números, dos scouts e das estatísticas que hoje dominam o futebol e impressionam fortemente quem joga mal e quem vê mal o jogo.

Jornal O Globo, 13/10/2002, coluna de Fernando Calazans

posted by Eduardo Pereira at 22:49

 

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